segunda-feira, 22 julho 2024

Kassab vai ganhar Secretaria e status de homem forte de Tarcísio

O ex-prefeito da capital, que cuidou dos bastidores da campanha do apadrinhado do presidente Jair Bolsonaro (PL), é o escolhido para chefiar a Secretaria de Governo

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, terá status de homem forte do governador eleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), a partir de 2023. O ex-prefeito da capital, que cuidou dos bastidores da campanha do apadrinhado do presidente Jair Bolsonaro (PL), é o escolhido para chefiar a Secretaria de Governo.

Kassab será o responsável por tratar da relação entre o Palácio dos Bandeirantes, a Assembleia Legislativa e o Palácio do Planalto. O embarque definitivo na gestão Tarcísio vem no momento em que Kassab negocia a participação do PSD no governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O partido pleiteia o Ministério das Cidades.

Tarcísio confirmou a decisão no início da noite de ontem ao chegar a um evento organizado pelo grupo Esfera Brasil, em um hotel no Guarujá, na Baixada Santista. Questionado por jornalistas se Kassab integraria o primeiro escalão, ele respondeu de forma sucinta: “Vai, secretário de Governo”. De acordo com Tarcísio, o anúncio oficial será feito na próxima semana.

Mais cedo, em São Paulo, o governador eleito já havia elogiado o ex-ministro de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), sem confirmar a informação. “(Kassab) Tem uma grande habilidade política, um grande estrategista, vai somar muito também na interface política”, afirmou. O ex-prefeito chegou a negar que participaria da gestão paulista.

Tarcísio anunciou ontem mais dois nomes para o governo. A procuradora federal Natália Resende comandará a “supersecretaria” que vai unificar Infraestrutura, Meio Ambiente, Logística e Transportes, com o orçamento de R$ 13 bilhões. Arthur Lima assumirá a Casa Civil. Ele é advogado e aliado desde os tempos de Ministério da Infraestrutura, por onde Natália também passou, como consultora jurídica.

A Casa Civil focará em projetos e será o órgão responsável por realizar a governança. “Vai coordenar o trabalho das demais (pastas) e arbitrar os conflitos. Também vai acompanhar o impacto regulatório das decisões”, disse o governador eleito de São Paulo.

Ciumeira
A indicação de Kassab como o secretário mais forte provocou a reação de bolsonaristas, que chegaram a pressionar Tarcísio a rever a escolha. Aliados de Bolsonaro vão depender do comando de Kassab nos próximos anos para atuar no Estado.

Ontem, Tarcísio se reuniu com o ministro das Comunicações, Fabio Faria (PSD), o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e com o advogado-geral da União, Bruno Bianco, em São Paulo. Ele também já recebeu o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no gabinete de transição.

Enquanto isso, integrantes do PSD ganham espaço relevante nos eixos temáticos da transição e a expectativa é de que Kassab emplaque ainda mais secretarias, além de já ter o vice-governador eleito Felicio Ramuth (PSD) na gestão. Na Saúde, colocou um aliado, o médico Eleuses Paiva. Do setor empresarial, Renato Feder chefiará a Educação.

Diálogo
Apesar das queixas de bolsonaristas, Tarcísio vê Kassab como um interlocutor capaz de manter uma boa relação com o governo do PT em razão do trânsito do presidente do PSD com Lula. Durante evento do Esfera Brasil, Kassab afirmou esperar que a relação de Tarcísio com Lula seja “a melhor possível”. “Ambos foram eleitos, têm compromisso com eleitores brasileiros”, disse o ex-prefeito.

Sobre o presidente eleito, o futuro secretário de Governo afirmou que Lula é “uma pessoa habilidosa e que vai necessariamente ter de somar as diversas posições que tem nessa aliança”. “Entendo que (o governo federal) será um governo de centro-esquerda. Em contraponto com o que está acontecendo em São Paulo, (que será) um governo de centro-direita”, disse Kassab. Segundo o presidente do PSD, o governo paulista e o governo federal terão desafios semelhantes.

Kassab chegou a ser anunciado para a Casa Civil em 2018, na véspera do início da gestão João Doria (PSDB), mas pediu licença do cargo antes mesmo de tomar posse, depois de se tornar alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal relacionada a uma delação do grupo J&F. Após dois anos licenciado, deixou oficialmente o cargo para tratar da articulação nacional do seu partido.

O cacique do PSD foi prefeito da capital paulista (2006-2012), ministro das Cidades (2015-2016) na gestão de Dilma e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (2016-2019) no governo Temer.

Sabesp
Com Natália à frente da supersecretária, Tarcísio afirmou ontem que a proposta de privatização da Sabesp ainda está na mesa, mas será avaliada no começo do governo “para saber se esse seria o caminho que traria mais recursos em um prazo mais curto”. “A gente vai realmente começar a estudar isso. Se for esse o melhor caminho para a sociedade, é esse caminho que a gente vai adotar”, afirmou.

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