quinta-feira, 29 fevereiro 2024

Mais de 600 mil brasileiros abriram mão de empregos estáveis em apenas um mês

Cerca de 30% das demissões no Brasil foram voluntárias 

O Brasil está experimentando uma tendência crescente de resignações voluntárias, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da LCA Consultores. O fenômeno, conhecido como “the great resignation”, reflete a insatisfação das pessoas não só com o trabalho, mas também com o modo de vida que levam.

“As pessoas estão encontrando no abrir mão do emprego e tentativa de novas experiências um caminho para buscar satisfação e felicidade”, afirmou Márcio Monson, fundador e CEO da Selecty, empresa curitibana de tecnologia para recrutamento e seleção.

Os dados do IBGE indicam que, apesar dos quase 12 milhões de desempregados no país, um terço das demissões tem sido voluntárias. Isso significa que muitas pessoas estão optando por sair voluntariamente do mercado de trabalho em busca de novas experiências e realizações. Essa tendência não é exclusiva do Brasil, pois vem ganhando força a nível global.

O fenômeno da “grande renúncia” é uma onda que tem sido observada nos Estados Unidos, Europa, China e Índia, e agora também é realidade no Brasil. Segundo Monson, as organizações precisam estar preparadas para tornar as vagas que oferecem atraentes para os profissionais não apenas do ponto de vista da empregabilidade, mas também da satisfação. Essa migração das pessoas e seus trabalhos foi intensificada pela pandemia da Covid-19, que forçou a mudança de hábitos e criou incertezas e medos.

Ainda de acordo com Monson, a crise trouxe à tona decisões por rupturas e alterações de estilo de vida, com milhares de pessoas pedindo demissão nos Estados Unidos só nos dois primeiros meses do ano. No Brasil, dados da LCA mostram que mais de 600 mil desligamentos em apenas um mês foram voluntários.

Para reverter o fenômeno, é necessário combater culturas tóxicas nas empresas, excesso de pressão, insegurança e falta de reconhecimento profissional. Motivações ligadas a fatores materiais costumam ser menos relevantes do que motivações psicológicas e comportamentais. Por isso, as organizações – e os profissionais de recrutamento e seleção – precisam estar atentos às necessidades dos colaboradores. 

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