sábado, 14 março 2026

Morre aos 90 anos Dalmo de Abreu Dallari, advogado e professor emérito da USP

Em comunicado, a família de Dallari afirma que ele morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória. Deixa esposa, sete filhos, 13 netos e dois bisnetos 

Em 1953, ingressou na Faculdade de Direito da USP e concluiu o curso em 1957 (Foto: Reprodução)

Faleceu nesta sexta-feira (8), aos 90 anos, Dalmo de Abreu Dallari, professor emérito da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo).

Com importante legado jurídico, Dallari lecionou por décadas na instituição, na qual ocupou ainda o cargo de diretor. Dallari também teve atuação de destaque ao longo da ditadura militar em defesa dos direitos humanos.

Em comunicado, a família de Dallari afirma que ele morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória. Deixa esposa, sete filhos, 13 netos e dois bisnetos.

O velório será realizado na tarde desta sexta no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, localizada no Largo de São Francisco, 95, no centro de São Paulo.

Dallari nasceu em 31 de dezembro de 1931. Natural de Serra Negra, em São Paulo, aos 16 anos se mudou com a família para a capital do estado.

Em 1953, ingressou na Faculdade de Direito da USP e concluiu o curso em 1957. Poucos anos depois, em 1964, passou a integrar o corpo docente da instituição, depois de concorrer à livre-docência em Teoria Geral do Estado.

Atuou na resistência à ditadura militar instalada no país após 1964, tendo sido o primeiro presidente da Comissão Pontifícia de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, tendo participado de sua organização a partir de 1972 juntamente ao cardeal dom Paulo Evaristo Arns.

Entre 1990 e 1992, foi secretário dos Negócios Jurídicos do município de São Paulo, durante a gestão Luiza Erundina.

É pai de dois professores da USP, a professora de direito Maria Paula Dallari Bucci e Pedro Dallari, diretor do Instituto de Relações Internacionais, filhos de seu primeiro casamento.

Nas redes sociais, diferentes figuras do mundo jurídico, incluindo ex-alunos e orientandos, publicaram mensagens destacando a trajetória de Dallari e lamentando a perda.

Em rede social, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que foi orientando de Dallari afirmou que “a democracia e os direitos fundamentais perderam hoje um de seus maiores defensores”.

“Com inteligência, coragem e sabedoria, Dalmo Dallari foi um exemplo para gerações de professores e estudantes. Tive a honra de ser seu aluno e orientando na USP. Meus sentimentos à sua família”, escreveu Moraes.

Em nota de pesar da Faculdade de Direito da USP, o atual diretor da instituição, Celso Fernandes Campilongo, também se manifestou.

“Perdemos um grande amigo. Dalmo sempre se dedicou a fazer o bem. Um defensor dos Direitos Humanos. Ele dizia, constantemente, que a construção desses direitos deveria iniciar desde cedo. Somente assim as pessoas poderiam ter consciência do que é ser solidário e fraterno”.

Fernando Haddad (PT) lamentou a perda em rede social e disse que Dallari foi um dos maiores professores que já conheceu.

“Hoje, nos deixou Dalmo de Abreu Dallari, um dos maiores professores que conheci. Mestre e amigo de muitos de nós. Gigante da cidadania. Um caloroso abraço a toda querida família. Dalmo, presente!”.

O desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Marcelo Semer descreveu Dallari como “farol na luta pela democracia”.

“Tristeza. A comunidade jurídica e o mundo dos direitos humanos perdem Dalmo de Abreu Dallari. Foi meu professor na Faculdade e farol na luta pela democracia.”

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