Domingo, 17 Outubro 2021

Mulher é enterrada no lugar de outra após troca de corpos em hospital da zona norte de SP

Mulher é enterrada no lugar de outra após troca de corpos em hospital da zona norte de SP

Uma idosa de 91 anos foi enterrada no lugar de outra mulher, vítima de Covid-19, na última quarta-feira (5) em São Paulo. A troca dos corpos aconteceu
Uma idosa de 91 anos foi enterrada no lugar de outra mulher, vítima de Covid-19, na última quarta-feira (5) em São Paulo. A troca dos corpos aconteceu no Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, em Pirituba (zona norte), e foi confirmada pelo filho dela, Antonio Soares da Silva, 66, que até agora não teve acesso ao corpo da mãe.

Ignácia Silva morreu na quarta-feira (5) no hospital municipal de Pirituba. No dia seguinte (6), Antonio compareceu à unidade de saúde para o reconhecimento do corpo e disse ter sido informado, após um tempo de espera, que os funcionários não estavam encontrando o corpo de sua mãe.

Após mais de duas horas de espera, Antonio foi levado ao necrotério do hospital. Ao ver os cabelos brancos de uma idosa, concluiu que era o corpo de Ignácia e assinou o documento que reconhecia que aquela era sua mãe.

Quando o corpo estava a caminho do cemitério Dom Bosco, em Perus (zona norte), o hospital entrou em contato com a funerária para comunicar que aquele era o corpo errado. A família, que estava no cemitério, pôde verificar e confirmar que realmente não era Ignácia.

O corpo era de uma mulher de 88 anos, vítima de Covid-19. A hipótese é de que Ignácia, que havia falecido por infecção generalizada e insuficiência cardíaca, tenha sido enterrada no lugar da outra mulher na quarta-feira (5).

A família de Ignácia foi até o 46º DP (Perus) para a abertura de um boletim de ocorrência.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública, gestão João Doria (PSDB), diz que "após realizar as oitivas com os familiares das duas vítimas e com representantes do hospital e do serviço funerário, a autoridade policial do 46º DP registrou o caso como não criminal e orientou as partes sobre as medidas judiciais cabíveis".

No registro do boletim de ocorrência, o funcionário do serviço funerário explica que, por terem se passado mais de 24 horas do sepultamento de Ignácia no nome de Idalina, não seria possível abrir a cova para reconhecimento.

"Muito provavelmente foi minha mãe que foi enterrada, mas eu não posso afirmar nada, se a minha mãe foi trocada, se não foi... Eu estou considerando minha mãe como desaparecida", relata Antonio, que não teve acesso ao corpo da mãe.

A família de Ignácia afirmou que pretende acionar a Justiça para pedir a exumação do corpo. "Está sendo muito triste. Eu não queria estar fazendo nada disso, mas faço porque muitas famílias vão se ver no meu caso", complementa Antonio.

A reportagem não conseguiu contato com a família da outra mulher até esta publicação.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), diz que o ocorrido é inadmissível e que, devido à gravidade do caso, o Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim), a Organização Social responsável pela gerência do Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria, afastou preventivamente o colaborador envolvido no caso.

"Uma sindicância já foi instaurada para apurar os fatos. A direção da unidade já reforçou as orientações para a tripla checagem, que é o protocolo instituído em todas as unidades hospitalares da capital", diz o texto.
 

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