
O rendimento mensal mensal das famílias brasileiras chegou a R$ 2.264 por pessoa em 2025, o maior valor registrado desde o início da série histórica da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) em 2012.
O dado, divulgado na sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), representa um crescimento real de 6,9% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. Este é o quarto ano consecutivo de alta.
Desigualdade
Apesar do recorde na renda geral, a diferença entre as classes sociais voltou a oscilar positivamente. Em 2025, o grupo dos 10% mais ricos obteve um rendimento médio de R$ 9.117, valor 13,8 vezes maior que o dos 40% mais pobres, que receberam, em média, R$ 663. No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes.
A disparidade cresceu porque a renda dos mais abastados subiu 8,7%, enquanto a base da pirâmide teve uma alta mais modesta, de 4,7%. Contudo, em uma perspectiva de longo prazo (desde 2019), a melhora para os mais pobres é notável:
- 40% mais pobres: alta de 37,6% nos rendimentos desde 2019.
- 10% mais pobres: expansão de 78,7% no mesmo período (saltando de R$ 150 para R$ 268).
- 10% mais ricos: crescimento de 11,9% desde 2019.
O Índice de Gini, que mede a concentração de renda, acompanhou essa tendência, subindo de 0,504 para 0,511. Segundo o IBGE, a mudança é vista como uma oscilação próxima da estabilidade, mantendo-se em níveis mínimos históricos.
Fontes de renda
O levantamento aponta que 75,1% do rendimento das famílias provém do trabalho. Os 24,9% restantes vêm de “outras fontes”, como aposentadorias (16,4%) e programas sociais (3,5%).
A rede de proteção social segue robusta: 22,7% das famílias brasileiras (cerca de 18 milhões de domicílios) receberam algum tipo de auxílio governamental em 2025. O envelhecimento populacional também impactou os dados, com o número de beneficiários de aposentadorias e pensões atingindo 13,8% da população, o maior nível da série.
Disparidades regionais
A desigualdade também é geográfica. O Distrito Federal lidera o ranking de rendimento per capita (R$ 4.401), mas também ostenta a maior desigualdade: os mais ricos ganham 19,7 vezes mais que os mais pobres.
No Nordeste, a dependência de fontes externas ao trabalho é maior: 32,6% da renda vêm de benefícios ou aposentadorias, refletindo a importância das políticas de transferência de renda para a manutenção da economia local.
*Com informações da Agência Brasil.





