Terça, 28 Junho 2022

Onda de protestos tem mortos e feridos nos EUA

Onda de protestos tem mortos e feridos nos EUA

Manifestantes foram às ruas das principais cidades americanas pelo quinto dia seguido, em protestos que explodiram em todo os Estados Unidos após a mo

Manifestantes foram às ruas das principais cidades americanas pelo quinto dia seguido, em protestos que explodiram em todo os Estados Unidos após a morte do afro-americano George Floyd durante uma ação policial. Os protestos contra o racismo e a violência policial contra negros, chamado movimento "Black Lives Matter" (vidas negras importam), se espalharam para dezenas de Estados, e vários deles resultaram em violência, com baleados, feridos e ao menos duas mortes confirmadas até a manhã deste sábado, após uma noite de sexta tensa, com atos de violência, vandalismo, incêndios e saques a lojas e supermercados. 

Na noite de sexta houve manifestações em Minneapolis, Saint Paul (Minnesota), Atlanta (Geórgia), Detroit (Michigan), Nova York, Portland (Óregon), Dallas, Houston (Texas), Los Angeles, San Jose, Oakland (Califórnia), Las Vegas (Nevada), Columbus (Ohio), Phoenix (Arizona) e várias outras cidades. 

As manifestações foram pacíficas ao longo do dia em Minneapolis, mas se tornaram violentas perto de meia-noite. Cerca de 50 pessoas foram detidas durante os protestos. 



[caption id="attachment_43219" align="aligncenter" width="635"] MINNEAPOLIS | Lojas e até a delegacia incendiados

Houve tiroteios perto de delegacias, e lojas comerciais foram incendiadas, incluindo um banco, um restaurante, um posto de gasolina e uma agência de correios. 

Quinhentos agentes da guarda Nacional foram enviados à cidade para ajudar a polícia do Estado a conter os protestos. Até este domingo, o número pode subir para 1.700. 

Os manifestantes desrespeitaram um toque de recolher decretado pelo prefeito Jacob Frey, que determinou que as pessoas esvaziem as ruas das 20h (22h de Brasília) às 6h, exceto membros das forças de segurança. 


MORTE 

Em Detroit, um homem de 19 anos morreu depois de uma pessoa que estava num carro abrir fogo contra uma multidão que protestava, afirmou a polícia da cidade, por volta das 23h30 de sexta (hora local). 

Segundo a polícia, o suspeito dos disparos parou o carro na área onde ocorriam os protestos e começou a atirar contra a multidão. A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Em Oakland, dois policiais foram baleados durante manifestações na noite de sexta. Um deles morreu. A polícia investiga para identificar de onde vieram os disparos. Foram relatados atos de vandalismo por toda a cidade, saques e incêndios em lojas e agressões. 

No centro de Atlanta, no sudeste do país, perto da sede da cadeia de televisão CNN, grupos de manifestantes destruíram lojas, e a polícia lançou granadas de gás lacrimogêneo. 



[caption id="attachment_43220" align="aligncenter" width="953"] Onda de depredações diante da sede da CNN em Atlanta

Alguns manifestantes atiraram pedras contra o edifício da CNN e vários veículos da polícia em estacionamentos foram atingidos por pedras e outros objetos. Ao menos um foi incendiado. 

O governo da Georgia declarou estado de emergência na manhã deste sábado, para pedir a Guarda Nacional em Atlanta. 


NA CASA BRANCA 

Em Washington, uma multidão se reuniu em frente à Casa Branca e entoou palavras de ordem contra o presidente Donald Trump. 

Alguns manifestantes tentaram romper as barreiras colocadas no local por agentes do Serviço Secreto, que faz a segurança presidencial. Objetos foram lançados contra os agentes, que responderam com spray de pimenta. 

Ontem pela manh, o presidente se manifestou no Twitter sobre o ato. Ele parabenizou os agentes de segurança que contiveram os manifestantes e disse que as pessoas que estavam lá "pouco tinham a ver com a memória de George Floyd". 


COVARDIA 

Na origem dos protestos está a morte do afro-americano George Floyd, de 46 anos, sob custódia da polícia. Floyd havia sido detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de USS 20 num supermercado. 

Uma imagem de vídeo mostra Floyd deitado no chão, de barriga para baixo, ao lado do pneu de um carro e com o pescoço prensado contra o asfalto pelo joelho de um dos quatro agentes que participaram da detenção. Mesmo fazendo apelos de que não podia mais respirar e com o nariz sangrando, ele foi mantido até desacordar. Foi socorrido e morreu ainda na ambulância. 



[caption id="attachment_43222" align="aligncenter" width="855"] MORTE | Floyd foi asfixiado

Os quatro foram afastados da polícia e o agente que prensou Floyd, Derek Chauvin, foi preso e acusado de homicídio culposo (sem intenção). A esposa dele pediu o divórcio. 

Em comunicado, a família de Floyd saudou a detenção do agente, apesar de "tardia e insuficiente": "Queremos uma acusação de homicídio doloso (com intenção), premeditado, e queremos que os demais agentes sejam detidos". 

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