domingo, 21 julho 2024

Operação da PF mira empresários bolsonaristas que defendem golpe

Ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes e tem como base inquérito da PF das milícias digitais

APURAÇÃO | O ministro do STF Alexandre de Moraes, que autorizou a ação da PF (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (23) mandados de busca contra empresários que, em um grupo de mensagens privadas, defenderam um golpe de Estado caso o ex-presidente Lula (PT) vença Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de outubro. Além das buscas, o ministro Alexandre de Moraes também autorizou que os empresários sejam ouvidos pela PF e o bloqueio de suas respectivas redes sociais.

Entre os alvos estão Luciano Hang, da Havan, José Isaac Peres, da rede de shopping Multiplan, Ivan Wrobel, da Construtora W3, José Koury, do Barra World Shopping, André Tissot, do Grupo Sierra, Meyer Nigri, da Tecnisa, Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii, e Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu. As buscas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e têm como base um pedido da Polícia Federal, no âmbito do inquérito das milícias digitais, que mira uma suposta organização criminosa responsável pela disseminação de fake news e ataque às instituições.

Moraes também autorizou o bloqueio de contas nas redes sociais e quebras de sigilos bancário e telemático dos alvos. Os mandados são cumpridos por agentes da PF no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Em uma das mensagens reveladas pelo portal, o empresário José Koury diz preferir um golpe à volta do PT e que “ninguém vai deixar de fazer negócios com o Brasil” caso o país vire uma ditadura.

André Tissot, do grupo Sierra, em outra postagem disse que “o golpe teria que te acontecido nos primeiros dias de governo. “[Em] 2019 teríamos ganhado outros dez anos a mais”, afirmou. Koury, segundo o Metrópoles, também chegou a sugerir o pagamento de bônus a funcionários que votassem seguindo a indicação dos empresários. A possibilidade foi alvo de comentário de Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii, que lembrou a possibilidade de a proposta configurar compra de votos.

No pedido, a PF indica que as buscas têm como objetivo entender a atuação do grupo de empresários em uma possível tentativa de planejar e apoiar ações no sentido de ruptura do Estado democrático Direito. O crime é previsto no artigo 359-L no Código Processo Penal. “Tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”, diz trecho do artigo citado pela PF.

No início da tarde desta terça, a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, elogiou a decisão de Moraes. “Acho que foi uma decisão firme e importante. O TSE tem que tomar as providências em relação a isso. Afinal, uma conspiração de pessoas desse nível atenta contra a democracia e as instituições.”

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que “qualquer pessoa, independente de ser empresário, famoso ou não, conhecido ou não, que prega retrocessos democráticos, atos institucionais, volta da ditadura, está redondamente equivocado, é um desserviço ao país, é uma traição. Isso obviamente precisa ser rechaçado e repudiado com toda a veemência pelas instituições”.

Aras se irrita e teme mais tensão entre poderes

O procurador-geral da República, Augusto Aras, demonstrou irritação com a operação contra empresários bolsonaristas deflagrada nesta terça-feira (23) pela Polícia Federal. Segundo relatos, o procurador-geral avalia que o gesto de Moraes, que também é presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pode implodir os esforços de atores do Executivo e do Judiciário em busca de um acordo de harmonia que faça Jair Bolsonaro (PL) cessar declarações golpistas e contra as cortes.

Aliados de Bolsonaro trabalham para construir um acordo com Moraes no qual o ministro faria uma concessão e atenderia a um dos pedidos das Forças Armadas relacionadas às urnas eletrônicas e, em contrapartida, o presidente pararia de questionar o processo eleitoral.

Presidente reclama: ‘Acham que é proporcional?’

O presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou atacar publicamente o ministro Alexandre de Moraes em um almoço com empresários, nesta terça (23), em São Paulo. Em uma conversa reservada com alguns deles, no entanto, o mandatário fez críticas à decisão do magistrado de ordenar uma operação de busca e apreensão contra oito empresários bolsonaristas que defenderam um golpe no Brasil caso Lula (PT) vença as eleições.

Segundo relatos de quem estava na sala, o presidente recebeu de um dos auxiliares um telefone celular com uma das reportagens sobre a operação da PF e questionou: “Vocês acham que é proporcional bloquear as contas bancárias dessas pessoas [empresários que defendem golpe]? Tem justificativa uma medida desse tamanho?”, reclamou o presidente.

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