quarta-feira, 24 julho 2024

Paulo Guedes fala em imprimir dinheiro se inflação for zerada

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que o BC (Banco Central) pode emitir moeda e comprar dívida interna para ajudar o governo a enfrentar os efeitos econômicos da crise do coronavírus. Em economia, a medida pode gerar inflação e desvalorizar a moeda, mas o ministro descartou esse risco sob certas condições.

A declaração de Guedes foi feita ontem, durante participação do minstro em reunião virtual da comissão mista do Congresso que acompanha as medidas contra a pandemia.

A deputados e senadores, o ministro apresentou as ações do governo Jair Bolsonaro (sem partido) para contornar a crise.

Segundo Guedes, “um bom economista não tem dogma” e tem a capacidade de migrar o foco de ações estruturantes para emergenciais durante uma crise. Nesse contexto, disse Guedes, em uma situação em que a inflação estiver praticamente em zero e os juros desabarem, o País cairia em uma “armadilha da liquidez”.

Isso significa que a queda da taxa de juros em tentativa de injetar dinheiro na economia não surtiria mais efeito.

Em vez de emprestar dinheiro a taxas prefixadas ou comprar títulos públicos, os bancos manteriam o dinheiro na tesouraria. Com essa medida, eles tentariam evitar perdas quando os juros subirem.

“Tecnicamente, o Banco Central pode, sim, emitir muita moeda e pode sim inclusive comprar dívida interna”, afirmou o ministro. “Ele pode comprar dívida interna e retirar, porque, se a taxa de juros for muito baixa, ninguém quer comprar título longo. E aí você pode monetizar a dívida, sem que haja impacto relacionado (inflação).”

Hoje, o BC não pode comprar títulos de dívida pública.

Isso pode mudar caso seja aprovada a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do Orçamento de guerra.

O texto em discussão no Congresso prevê que o BC poderá comprar, no mercado secundário, títulos públicos e privados – nesse último caso, somente alguns tipos e desde que tenham classificação de risco igual ou superior a BB-.

MEIRELLES APOIA

A medida (imprimir dinhiero) já foi posta à mesa como uma saída à crise por outros economistas, até mesmo os defensores de cortes de gastos públicos. Secretário de Fazenda e Planejamento de São Paulo, ex-presidente do BC e ex-ministro da Fazenda do governo Michel Temer (MDB), Henrique Meirelles já defendeu a emissão de moeda em entrevista à BBC News Brasil no dia 8 de abril.

“O Banco Central tem grande espaço de expandir a base monetária, ou seja, imprimir dinheiro, na linguagem mais popular, e, com isso, recompor a economia. Não há risco nenhum de inflação nessa situação”, afirmou à BBC.

Nesta quinta, Guedes ainda sugeriu que governadores e prefeitos poderiam usar o dinheiro do socorro da União a Estados e municípios para “fazer política”, em vez de aplicar os recursos em saúde e no combate ao coronavírus.

Aos senadores e deputados, Guedes afirmou que o Governo Federal já transferiu cerca de R$ 90 bilhões a Estados e municípios por meio de projetos já aprovados no Congresso.

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