terça-feira, 27 fevereiro 2024

Petrobras diz que tem sensibilidade com combustíveis, mas que mercado segue volátil

As pressões sobre a política de preços da estatal se intensificaram após os mega-aumentos anunciados na semana passada e ganharam ainda mais força com a queda das cotações internacionais do petróleo no início desta semana.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) se apressou a dizer que a estatal “com certeza” reduziria os preços (Foto: Divulgação/ Petrobras)

Pressionada nos últimos dias a cortar os preços dos combustíveis no país, a Petrobras divulgou nesta sexta-feira (18) comunicado em defesa de sua política de preços, no qual sinaliza que a grande volatilidade no mercado externo impede ajustes neste momento.

“A Petrobras tem sensibilidade quanto aos impactos dos preços na sociedade e mantém monitoramento diário do mercado nesse momento desafiador e de alta volatilidade, não podendo antecipar decisões sobre manutenção ou ajustes de preço”, afirma o texto.

As pressões sobre a política de preços da estatal se intensificaram após os mega-aumentos anunciados na semana passada e ganharam ainda mais força com a queda das cotações internacionais do petróleo no início desta semana.

Na terça (15), com o barril a menos de US$ 100, o preço do diesel no país chegou a ficar mais caro do que a paridade de importação, conceito usado pela política de preços da Petrobras que considera o custo para importar os produtos.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) se apressou a dizer que a estatal “com certeza” reduziria os preços. Seu aliado, o presidente da Câmara, Arthur Lira (DEM) fez coro e cobrou cortes.

Já nesta quinta (17), porém, o petróleo voltou a subir e o diesel brasileiro voltou a ficar defasado em relação às cotações internacionais. Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), ao fim do pregão de quinta, a diferença era de R$ 0,40 por litro.

“Nos últimos dias, observamos redução dos níveis de preços internacionais de derivados, seguida de forte aumento no dia de ontem”, comentou a Petrobras, reforçando que vê ainda um “momento de muita incerteza” e que preços artificiais geram risco ao abastecimento.

“Os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia impactam a oferta, gerando uma competição no mundo pelo fornecimento de produtos, o que reforça a importância de que os preços no Brasil permaneçam alinhados ao mercado global para assegurar a normalidade do abastecimento e mitigar riscos de falta de produto.”

A companhia frisa que passou 57 dias sem reajustar gasolina e diesel em 2022, mesmo em um cenário de alta das cotações do petróleo e que os valores aplicados no mega-aumento da semana passada, “apesar de relevantes, refletiam somente parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo”.

Repete ainda que o movimento “foi no mesmo sentido de outros fornecedores de combustíveis no Brasil que, antes da Petrobras, já haviam promovido ajustes nos seus preços de venda, e necessário para que o mercado brasileiro continuasse sendo suprido, sem riscos de desabastecimento, pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras”.

A defesa reiterada da política de preços dos combustíveis colocou o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, em rota de colisão com o Palácio do Planalto, cenário que vem mexendo com as ações da empresa em bolsa de valores nos últimos dias.

Silva e Luna tem dito que não deixará o cargo, mas na empresa a nomeação do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, para comandar o conselho de administração da estatal é vista como um passo em direção a mais uma troca na presidência no governo Bolsonaro.

Em 2021, o presidente da República demitiu o primeiro presidente da Petrobras sob sua gestão, Roberto Castello Branco, também em meio a uma crise sobre preços dos combustíveis. A expectativa de que Silva e Luna mudaria a política, porém, não se confirmou.
O estatuto da Petrobras impede operações com prejuízo e determina que o governo compense a empresa pela eventual adoção de políticas públicas. O texto é usado pelo conselho de administração para cobrar respeito à política de preços atual.

“A Petrobras segue todos os ritos de governança e busca um equilíbrio com o mercado, ao mesmo tempo que evita repassar para os preços internos as volatilidades das cotações internacionais e da taxa de câmbio causadas por eventos conjunturais”, concluiu a estatal, na nota divulgada nesta sexta. 

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