quinta-feira, 23 maio 2024

Técnica de enfermagem usa caneca no trabalho em alusão à Ku Klux Kan

Colega de profissão denuncia: “Me sinto ferida na minha existência”  

A técnica de enfermagem Rosana Resende denunciou uma colega de trabalho por usar uma caneca que faz alusão a um movimento supremacista branco americano Ku Klux Kan, no Hospital Servidores, no centro do Rio de Janeiro.

O grupo, referenciado na caneca, perseguia e matava negros ou simpatizantes do movimento por igualdade racial. Os dizeres faz um trocadilho com o nome do grupo “Sou da Cuzcuz Klan.

A colega, identificada como Marilia Romualdo do Amaral usava a caneca durante os intervalos no trabalho e chegou a ser alertada sobre o assunto.

“Me sinto ferida na minha existência como mulher negra, como ser humano, não só como mulher negra, porque uma organização supremacista branca, que foi criada com o objetivo de extermínio de pessoas, independente de raça, porque é negro, até porque não foi só isso, porque eles também assassinavam judeus, assassinavam gays, assassinavam católicos. Então, a gente não pode normalizar essa situação”, afirma Rosana.

Segundo Rosana, a colega não se importava com a situação e ostentava o uso da caneca ao dizer “Não ligo para sua vida, o grupo exterminava pessoas como você, que também não ligavam para a sua vida”.

Marília também defendeu em redes sociais o uso de tratamentos não comprovados para a COVID-19, além de proferir piadas de cunho racistas e falar sobre liberdade de expressão.

Por não ter o pedido atendido por Marília sobre o uso da caneca, Rosana levou o caso para a chefia e para a ouvidoria da unidade que também não tomou providências alegando “liberdade de expressão”. Rosana decidiu então, levar o assunto ao sindicato que colaborou para que o caso chegasse a direção do hospital.

“Nós falamos para a divisão de enfermagem do hospital que isso é crime, que propagar, divulgar símbolos racistas é crime, e nós vamos para a delegacia, vamos registrar”, afirma Oswaldo Mendes, diretor do Sindisprev/RJ.

A direção do Hospital dos Servidores disse que apura o caso e “não compactua com qualquer tipo de manifestação racista”. 

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