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Manifestantes vão às ruas contra cortes na educação em mais de 150 cidades

"Eles se organizaram e pediram nossa ajuda para vir", disse o professor de história Marcos Santos de Souza

Em dia de protestos contra os cortes na educação, milhares de pessoas saíram às ruas em ao menos 167 cidades, em manifestações que o presidente Jair Bolsonaro afirmou serem feitas por imbecis e “idiotas úteis” usados como “massa de manobra”. Os atos ocuparam ruas e avenidas de todas as capitais e do Distrito Federal, além de outras cerca de 130 cidades. Foram realizados inclusive em pequenos municípios, como Felipe Guerra (RN), de 5.734 habitantes, e na terra indígena Alto Rio Negro, na fronteira entre Amazonas e Colômbia.

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Participaram manifestantes convocados por sindicatos contrários à reforma da Previdência, pauta original dos atos, e estudantes e professores de escolas e universidades públicas e privadas. Havia políticos e militantes de partidos de esquerda, integrantes de centrais de trabalhadores e alguns carregando bandeiras com a mensagem “Lula Livre”. Mas milhares de manifestantes, de crianças a idosos, não tinham ligação com siglas, em uma participação espontânea que remeteu aos protestos de 2013.

Na capital paulista, o ato se estendeu por dois quilômetros da avenida Paulista, entre a rua Augusta e a avenida Brigadeiro Luiz Antônio, e depois seguiu para a Assembleia Legislativa. Atrás do Masp, ônibus fretados paravam com estudantes de rosto pintado vindos de cidades do entorno. Era o caso de alunos do ensino médio de escolas estaduais de Itaquaquecetuba, na Grande SP, que fizeram uma vaquinha com pais e professores para locar cinco veículos. “Eles se organizaram e pediram nossa ajuda para vir”, disse o professor de história Marcos Santos de Souza, 40.

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A falta de vinculação de parte dos manifestantes a organizações e partidos era visível em cartazes, muitos em papel sulfite. Diversos deles faziam referência à liberação de armas promovida pela gestão Bolsonaro (“menos armas e mais educação”) e a declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que, em um primeiro momento, atribuiu cortes nas universidades a uma suposta “balbúrdia” dentro delas, com sem-terra e “gente pelada” nos campi.

O ministro depois afirmou que o contingenciamento seria estendido a todas as universidades devido à situação econômica e que poderia ser revisto em caso de melhora na expectativa de arrecadação. Os cortes atingem 30% das despesas discricionárias das universidades, que bancam despesas de custeio, como luz e água, e gastos com empresas terceirizadas de segurança e limpeza, por exemplo.

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Em conta que inclui salários de funcionários e professores, a gestão Bolsonaro afirma que o corte é de apenas 3,4%. Dos Estados Unidos, o presidente afirmou que os estudantes eram “imbecis” que estavam sendo usados. “É natural [que haja protesto], agora a maioria ali é militante, não tem nada na cabeça, se perguntar 7×8 pra ele, não sabe. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada”, afirmou. “São uns idiotas úteis, uns imbecis, que estão sendo usados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais no Brasil.”

Em Brasília, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou os cortes à compra de um vestido para festa de debutante. “É que nem o pai que sabe que tem que comprar o vestido de 15 anos da filha lá em outubro, mas ele está em maio”, disse, ao argumentar que não se trata de corte, mas de reserva. Já Hamilton Mourão, presidente interino enquanto Bolsonaro está nos EUA, afirmou que o governo falhou ao explicar os cortes. Posteriormente, disse acreditar que “houve exploração política” das manifestações para usá-las como protesto ao governo.

Mourão ressaltou ainda que outros governos também fizeram contingenciamentos no orçamento e não enfrentaram manifestações. Em nota, o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, amenizou o discurso de Bolsonaro e de Mourão e afirmou que as manifestações são “legítimas” e “democráticas”, “desde que não se utilizem de violência, nem destruam patrimônio público”.

Em São Paulo, Fernando Haddad (PT), adversário derrotado por Bolsonaro no segundo turno, afirmou que o presidente escolheu a educação “como alvo predileto”. “Temos hoje mais de um milhão de pessoas nas ruas pela educação no país, e o presidente Bolsonaro está no Texas, a pátria que ele escolheu servir”, disse do carro de som contratado por sindicais.  Políticos de oposição também discursaram em Brasília.

Em Salvador, porém, onde Haddad teve mais votos que Bolsonaro, o PT não foi poupado. Professores das universidades estaduais, em greve há mais um mês e com os salários congelados desde 2015, levaram cartazes com críticas aos cortes no orçamento estadual. Em um deles, o governador Rui Costa (PT) foi chamado de “Bolsonaro petista”. Em São Paulo, integrantes do Judiciário também foram lembrados em cartazes que criticavam os gastos e salários de seus integrantes.

De forma geral, os protestos transcorreram de forma pacífica, mas, no Rio, houve tumulto por volta das 20h na hora da dispersão, com bombas e manifestantes fugindo correndo pelas vias paralelas que cortam a avenida Presidente Vargas, no centro. Em Brasília, agentes da Força Nacional de Segurança se posicionaram em frente ao Ministério da Educação com escudos e capacetes, mas não houve conflito.

Em São Paulo, o deputado estadual Mamãe Falei (DEM) discutiu com manifestantes quando o ato chegou à Assembleia Legislativa.No final do dia, a UNE convocou um novo megaprotesto em todo o país para o próximo dia 30. “É o início do gosto amargo que o Bolsonaro vai sentir”, disse a presidente da entidade, Marianna Dias.

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