A 15ª Parada da Diversidade e do Orgulho LGBTQIA+ de Piracicaba foi realizada neste domingo (9), com o tema “Não Pira, Transfobia é Crime! Por uma Piracicaba Sem Transfobia”.
O evento reuniu moradores e visitantes em uma programação com atrações culturais, apresentações artísticas e ações voltadas à saúde e à cidadania. A concentração aconteceu na Praça Sociedade São Vicente de Paulo, conhecida como Praça da Paz, na região da Avenida 31 de Março com a Avenida Independência. De lá, os participantes seguiram em caminhada com os trios elétricos em direção ao Parque do Engenho Central.
Para Nicolas Correia e Thiffanny Gabrielly, a Parada representa mais do que uma celebração. “Isso aqui, todo mundo acha que isso aqui é uma apegação. Mas não, meu amor. É direitos, é luta. E a gente está aqui pra ser a gente mesmo. Porque quando a gente passa na rua, a gente é xingado. Às vezes a gente é agredido. Mas hoje é um dia de liberdade.”

Programação
No Engenho Central, a programação contou com DJs, apresentações de dança, performances de drag queens e shows. Entre as atrações estiveram a cantora e atriz Linn da Quebrada, Tchaka Drag, Salete Campari, DJ Mia Houf, Lorenzo Zimon, Gabi Naomi e artistas de Piracicaba e região.
A edição também contou com o Espaço Saúde e Cidadania, instalado no Armazém 14. O local ofereceu orientações, materiais informativos, insumos de prevenção e testes rápidos, em parceria com o Centro de Doenças Infectocontagiosas de Piracicaba. A programação teve ainda praça de alimentação e atrações musicais no Armazém 9.
Representatividade
A presença de diferentes bandeiras e identidades marcou a programação. Carla Araújo destacou a importância de ocupar espaços e reforçar a liberdade. “Eu apoio sempre que a gente ocupe um espaço, se desamarre das algemas que nos ensinaram. Até porque, se não tivessem proibido o que a gente tem aqui por baixo, a gente não precisava contestar em público, né? Então, que seja a nossa liberdade, a nossa vitória, a nossa constância.”
Nicolas Correia, que se identifica como gay, participou pela primeira vez de uma Parada neste ano. Antes de Piracicaba, ele esteve nos eventos de São Paulo e Campinas. “Eu sou gay, homossexual. Então, eu comecei a participar da primeira parada esse ano, e foi em São Paulo. A segunda foi em Campinas e a terceira agora em Piracicaba.”
Ryan Danilo participou pelo quarto ano e destacou a importância de viver a própria identidade sem deixar que o preconceito impeça momentos de convivência. “A gente tem que aproveitar a nossa vida sem ligar para os preconceitos, mas sempre lutando contra e nunca deixar de aproveitar com os nossos amigos por conta disso. Se a gente se repreender ao medo da morte, só porque é quem a gente é, a gente nunca vai viver.”
Luta contra o preconceito
Para o cabeleireiro e artista Júlio Favoretti, que está próximo dos 70 anos, ainda há mudanças a serem feitas para combater o conservadorismo. “Eu tenho um salão de beleza no centro. Já sou aposentado, mas continuo fazendo os cabelos. Mas aqui é muito conservador, você acha, ainda? É, vai ter que mudar muito, né? Vai ter que mudar muito. Infelizmente.”
Ao longo da programação, participantes reforçaram que a Parada também é um espaço de reivindicação de direitos e combate à discriminação.
Nicolas Correia e Thiffanny Gabrielly resumiram a mensagem do evento. “Hoje é um dia de vitória, de luta e de conquista sobre o nosso direito. A gente tem que ter direito sim. Trans, travestis, gays, lésbicas. Porque a gente tem a nossa força. E nós precisamos ter o nosso lugar.”
Organização e segurança
A Parada é realizada pela ONG Casvi, com apoio da Prefeitura de Piracicaba e da Secretaria Municipal da Ação Cultural, além de outras entidades.
Durante a caminhada, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes realizou a escolta do percurso e fez desvios conforme os participantes ocupavam as vias.
A Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar também participaram da operação de segurança. Segundo a organização, a Parada busca dar visibilidade à comunidade LGBTQIA+, ampliar o diálogo com a população, combater a discriminação e defender uma sociedade mais igualitária.





