Domingo, 28 Novembro 2021

Americana tem caso suspeito de "doença da urina preta"

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Americana tem caso suspeito de "doença da urina preta"

Uma mulher de 31 anos está internada em um hospital particular da cidade com sintomas da Síndrome de Haff, relacionada ao consumo de peixes e crustáceos contaminados 

As ocorrências estão relacionadas ao consumo de peixes, mariscos e crustáceos sem o selo dos órgãos de inspeção oficiais. (Foto: ANPr)

 A prefeitura informou que o caso está sob investigação da Vigilância Epidemiológica local, que ainda não foi confirmado, e que "aguarda orientações do GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica) sobre os procedimentos a serem adotados". O hospital não informou o estado da paciente.

A incidência da síndrome, considerada rara, tem sido registrada em outros estados, sobretudo no Amazonas. Neste mês, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou uma nota com orientações sobre a doença. As ocorrências, conforme o órgão, estão relacionadas ao consumo de peixes, mariscos e crustáceos sem o selo dos órgãos de inspeção oficiais.
"A doença de Haff apresenta como sintomas rigidez muscular frequentemente associada ao aparecimento de urina escura, que resulta de insuficiência renal. Ela se constitui em um tipo de rabdomiólise, nome dado para designar uma síndrome que gera a destruição de fibras musculares esqueléticas e libera elementos de dentro das fibras - como eletrólitos, mioglobinas e proteínas - no sangue", informou o órgão.
Os primeiros sinais e sintomas podem se manifestar nas 24 horas após o consumo de peixe cozido, lagostim e outros frutos do mar contaminados. "A enfermidade é considerada emergente e, por ter origem desconhecida, enquadra-se como evento de saúde pública (ESP), sendo considerada de notificação compulsória", diz a nota do ministério.
Os primeiros casos de doença de Haff registrados no Brasil foram em 2008, com origem em espécies de água doce como o Pacu (Mylossoma spp), tambaqui (Colossoma macropomum) e pirapitinga (Piaractus brachypomus), bem como em peixes de água salgada, como a arabaiana/olho-de-boi (Seriola spp) e badejo (Mycteroperca spp). Foram também registrados casos em 2016 e, agora, em 2021.
Diante da situação, o Ministério da Agricultura está orientando a população a ficar atenta na hora de comprar pescados, de forma geral, que devem conter o selo dos órgãos de inspeção oficiais. O carimbo de inspeção na rotulagem possibilita o rastreio da sua origem, o que os torna seguros.

SEM GOSTO NEM CHEIRO
A dificuldade para a identificação do material contaminado está no fato de que a toxina causadora não tem gosto nem cheiro específicos, o que torna mais complexa a sua percepção.
Nos relatos registrados ao longo dos anos, pessoas acometidas da doença ingeriram diferentes tipos de peixe, como salmão, pacu-manteiga, pirapitinga, tambaqui, e de diversas famílias como Cambaridae e Parastacidae.
"Pesquisas sobre os possíveis agentes causadores estão sendo realizadas pelo LFDA e o IFSC, a partir das amostras coletadas dos alimentos consumidos, bem como de material biológico dos próprios pacientes acometidos. Por ter sido registrada em diversos biomas (rios, lagos, mares etc) e espécies, não é possível, até o momento, determinar, com base nos casos analisados, os ambientes e animais envolvidos", informa a nota.

INVESTIGAÇÃO
Em nota, o Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária informou que está investigando o que pode causar a doença de Haff. "Os resultados preliminares das análises dos laboratórios federais da rede do Mapa e do Instituto Federal de Santa Cantaria (IFSC) apontam no sentido de confirmar sobre essas moléculas suspeitas, especialmente dos grupos das palytoxinas e ovatoxinas, apontadas como as mais prováveis toxinas causadoras doença de Haff. No entanto, ainda são resultados preliminares. Outros fatores devem ser investigados".
A Síndrome de Haff recebe o nome quando ocasionada pelo consumo do pescado. Neste caso, pescado que ingeriu estes organismos aquáticos com a presença de tais toxinas.
As notificações dos casos são realizadas diretamente pelas equipes do Ministério da Saúde, uma vez que o atendimento de surtos alimentares é competência daquela pasta. No entanto, o Mapa oferece apoio laboratorial na análise das amostras coletadas nestes surtos.
(Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasilia)
 

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