
O caso da gata Selena, de 14 anos, que morreu uma semana após ser abandonada no estacionamento de um pet shop na Avenida Brasil, em Americana, ganhou repercussão nas redes sociais e levantou discussões sobre como agir ao encontrar um animal em situação de vulnerabilidade. A felina havia sido deixada no local por um homem que afirmou tê-la encontrado em um imóvel disponível para locação da imobiliária onde trabalhava.
A veterinária Priscilla Sarti, fundadora do projeto “Quero Adotar um Gatinho” e responsável pelo resgate e pelos cuidados com Selena nos últimos dias de vida, explicou que o animal foi retirado do imóvel sem autorização e abandonado após a mãe do rapaz se recusar a ficar com a gata. “A Selena foi encontrada por aqueles rapazes que a gente viu nas imagens, num imóvel que ele trabalhava na imobiliária. Ele retirou o animal sem falar com o patrão ou com o dono do imóvel e levou para casa. Segundo ele e a mãe, ela não quis ficar com a gata e pediu que ele a deixasse no pet shop”, relatou.
Tutora foi localizada
Por meio da leitura do microchip, foi identificado que Selena tinha tutora e estava desaparecida havia cerca de 30 dias. Segundo Priscilla, moradores da vizinhança procuravam pela gata desde o desaparecimento. A veterinária afirmou que o animal foi resgatado em estado crítico, com um grave quadro neurológico, comprometimento do fígado e do pâncreas, além de um tumor no baço. “Ela provavelmente caiu naquele imóvel e, como era uma gatinha idosa e não saía de casa, não conseguiu sair. Ficou muito tempo sem comer e sem beber água. Estava extremamente desidratada. A gente a colocava de pé, ela andava de lado e caía”, contou.
Devido à anemia profunda, Selena passou por uma cirurgia para retirada do tumor. Apesar das poucas chances de sobrevivência, resistiu por uma semana antes de morrer.
Abandono é crime
Priscilla destacou que o problema não foi o fato de o rapaz ter encontrado o animal, mas a forma como ele agiu após o resgate. “O processo foi feito de maneira que não deveria. Abandonar qualquer animal é crime. Além disso, faltou procurar ajuda, divulgar nas redes sociais e buscar orientação. Não se faz isso com um animal que está morrendo e não consegue se defender sozinho”, afirmou.
Segundo a veterinária, o homem será processado por maus-tratos.
Como agir
Priscilla orienta que, ao encontrar um cão ou gato ferido ou em situação de abandono, a primeira providência deve ser acionar o órgão responsável pelo município. “Hoje, se você encontrar qualquer animal machucado na rua, a primeira coisa que deve fazer é acionar a zoonose. Animais em locais públicos são responsabilidade do município. O órgão poderá verificar se o animal possui microchip, localizar o tutor e prestar os primeiros atendimentos”, explicou.
Ela também recomenda registrar a situação com fotos e vídeos e divulgar o caso em redes sociais e grupos de proteção animal para facilitar a identificação dos responsáveis e mobilizar ajuda.
A veterinária ressalta que, ao retirar um animal do local onde ele foi encontrado sem comunicar as autoridades competentes, a pessoa passa a assumir a responsabilidade sobre ele.
Projeto atende cerca de 200 gatos
Priscilla também apresentou o trabalho desenvolvido pelo projeto “Quero Adotar um Gatinho”, que atualmente abriga cerca de 200 gatos resgatados das ruas. Segundo ela, todos os animais recebem castração, vacinação, exames, alimentação de qualidade e acompanhamento veterinário. O projeto é mantido com doações e o trabalho de voluntários.
A adoção dos gatos segue critérios rigorosos. Entre as exigências estão residência com telas de proteção, condições financeiras para manter os cuidados veterinários e alimentação adequada. Na maioria dos casos, os gatos são adotados em pares para evitar problemas de adaptação.





