
O Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) realizou nesta sexta-feira (18), na unidade de Americana, uma palestra sobre inteligência artificial na Indústria 4.0 para empresas associadas. O evento reuniu cerca de 60 lideranças do setor econômico da região e contou com a presença do presidente da entidade, Rafael Cervone.
Cervone foi recebido pelos diretores do Ciesp Americana, Leandro Zanini Santos e Alexandre Brochi. A palestra integrou a Reunião Plenária, que também deu boas-vindas a 18 novos associados da entidade na região.
A apresentação tratou da tecnologia como investimento para o futuro e da possibilidade de tornar a indústria mais autônoma e produtiva. Entre os temas discutidos estiveram a superação de barreiras culturais, a modernização de processos analógicos e a governança de dados.
Capacitação para novas funções
Ao abordar os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho, Rafael Cervone afirmou que a tecnologia não deve necessariamente reduzir a mão de obra, mas transformar as funções exercidas pelos trabalhadores. “Eu nasci e vivi em Santa Bárbara e meu avô produzia cana-de-açúcar na usina. Quando a cana-de-açúcar foi mecanizada, aquela pessoa que trabalhava no corte perdeu o emprego? Sim e não. Hoje, ela está realocada para outras atividades. A IA vai trazer muito mais oportunidades de emprego, mas isso demanda um maior nível de capacitação. Por isso, nós estamos, desde o SESI até o SENAI, trabalhando nessa mudança de mentalidade e na capacitação das pessoas, para que elas estejam preparadas para essas novas funções.”
Novo curso na Fatec
Na área de capacitação profissional, a palestra também marcou o anúncio de um novo curso de Engenharia de Produção na Fatec Americana. A graduação será oferecida no período noturno a partir de 2027. O anúncio foi feito pelo diretor da unidade, Wladimir da Costa, que informou que a instituição será a primeira Fatec da Grande São Paulo a oferecer um curso de engenharia.
O presidente do Ciesp também destacou a importância do planejamento na digitalização dos processos industriais e defendeu a regulamentação da inteligência artificial pelo Legislativo para reduzir riscos.
O líder empresarial ressaltou que a digitalização exige objetivos claros para a coleta e a análise de informações. “É preciso ter estratégia. Não adianta digitalizar sem saber o que digitalizar, por exemplo. O custo para colocar um sensor hoje caiu muito e vai continuar caindo, mas não vai adiantar apenas colocar o sensor. É preciso saber onde e por que estou colocando.”
Cervone afirmou ainda que parte dos gestores enfrenta dificuldades por não ter dados organizados para apoiar as decisões do cotidiano industrial.





