Sarau Ameriafro reúne público com capoeira, literatura e artes visuais em Americana
Evento na Estação Cultura contou com apresentações musicais, capoeira, artes plásticas e artistas de diferentes regiões do país
O 1º Sarau Ameriafro movimentou a Estação Cultura, na região central de Americana, no sábado (16). Centenas de pessoas passaram pelo evento, que celebrou a arte, a cultura e a resistência afro-brasileira por meio de diferentes expressões artísticas.
Um dos destaques da programação foi a apresentação de capoeira da Associação Força, responsável pelo projeto “Força e Fé”, que oferece aulas gratuitas para moradores do Jardim dos Lírios.
Além das atividades esportivas e culturais, os participantes também recebem uniformes sem custo. As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras, no salão de festas da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, localizado na Rua Cardeal, 47, esquina com a Rua dos Colibris.
O professor Reinaldo Ribeiro, conhecido como professor Maguila, explicou que a apresentação levou ao público manifestações afro-brasileiras com raízes africanas. “A gente vai trazer aí um maculelê que está ensaiado e também vamos trazer o nosso carro-chefe, que é a capoeira, trazer um pouquinho da capoeira, dos meninos jogando capoeira”, afirmou.
Segundo ele, a apresentação também contou com a dança do facão dentro da performance de maculelê.
Festival reúne cinco cidades paulistas
O evento integra a programação do 2º Festival Afro de Juventude e Cidadania, iniciativa realizada em cinco cidades do estado de São Paulo, Americana, Capivari, Santo André, São Carlos e Piracicaba, com atividades desenvolvidas entre março e maio de 2026.
A literatura também marcou presença no Ameriafro. Um dos organizadores do evento, Roberto Mendes, destacou a importância de ampliar o acesso à cultura afro-brasileira e apresentar manifestações culturais de origem negra para a população.
Segundo ele, o sarau reuniu expressões como samba, capoeira e maracatu, além de abrir espaço para autores e autoras que abordam a questão étnico-racial.
“Estamos trazendo também conhecimento, literatura, livros de autores e autoras negras que falam sobre a questão étnico-racial. Acho importante apresentar para a população conhecer um pouco dessa diversidade, dessa cultura que é bastante rica”, afirmou.
Artes plásticas e representatividade
Além da música, da literatura e das apresentações culturais, o sarau também abriu espaço para artistas da região que utilizam as artes plásticas como forma de reflexão e valorização da identidade negra.
Entre os participantes esteve a artista plástica Fanny Deltreggia, especializada em desenhos com lápis grafite e graduanda em Artes Visuais. Moradora de Americana, ela desenvolve trabalhos que investigam e revelam marcas deixadas pela escravidão e pelo racismo na identidade brasileira.
Durante o evento, Fanny apresentou obras da série “Entre o Papel e a Pele: Legados”, desenvolvida a partir do uso do papel carbono como suporte artístico. Segundo a artista, a proposta busca criar novas narrativas sobre a população negra e ressignificar símbolos ligados à burocracia e à exclusão histórica. “Quero subverter essa perpetuação desse racismo passado, esse papel carbono que é um símbolo da burocracia, trazendo vida a pessoas históricas negras, que participaram da nossa construção também”, explicou.
Fanny também destacou a importância de participar do primeiro Sarau Ameriafro e afirmou que a iniciativa contribui para ampliar a representatividade e fortalecer debates sobre ancestralidade e memória.
A artista ainda se prepara para participar da 9ª Semana Cultural de Curitiba, onde integra a exposição coletiva “Vozes que Transformam”.
Artistas de outros estados participaram
Ao longo do dia, o público acompanhou apresentações de dança, performances do Maracatu Estação Quilombo, além de shows musicais e discotecagem com a DJ Viviane de Paula.
O evento também reuniu artistas de outros estados, entre elas a artista cicloviajante From Lopes, natural do Mato Grosso, que participou da programação cultural realizada em Americana.
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