Após oito anos, Nova Odessa passará, a partir de sexta-feira (1º), a não mais ser governada por Benjamim Bill Vieira de Souza (PSDB). Eleito em 2012 e reeleito em 2016, o tucano se diz com o sentimento de dever cumprido e recebeu a reportagem do TODODIA para fazer um balanço desse longo período.
Bill falou sobre quebras de tabu, sobre “ser político” e destacou que seus governos foram marcados, entre muitos avanços, pela superação de três grandes crises, uma delas ainda em curso, a da pandemia do novo coronavírus. Ele relembrou a crise hídrica de 2014 e também a crise política de 2015 e 2016, que culminou no impeachmet da presidente Dilma Rousseff (PT).
Prestes a deixar o cargo, ele garantiu que, em 2014, o PSDB, que ficou em segundo na disputa pela prefeitura com Dr. Lourenço, disputará as eleições municipais para tentar voltar ao Executivo, mas não cravou quem será o candidato, e não descartou disputar as eleições de 2022.
Quando entrou para a política, imaginava que chegaria a dois mandatos de prefeito?
Bill Souza – Sempre foi um sonho meu ser executivo, administrar, não necessariamente prefeito. Entrei na política para fazer carreira, ser um bom administrador, ser um bom deputado, um bom diretor-executivo, um bom secretário. Ou seja, onde estiver, que eu possa fazer política e levar o nome de Nova Odessa.
Eu amo o que eu faço, é algo que está em mim. Transformei toda essa energia no trabalho pela cidade. Sou de origem humilde, mas nunca usei isso na eleição. A gente avalia uma pessoa não pelo que tem, mas pela capacidade administrativa e o que ela fez e tem feito. Senão, só iriam ganhar os ricos.
Mas entendo que 90% dos bons administradores, têm origem humilde. Os grandes políticos, como Magalhães Teixeira e mesmo Vanderlei Macris, Mário Covas, tiveram sucesso, uma carreira ilibada, como foi nosso mandato. Em oito anos, não se viu desmando com o dinheiro público. Conseguimos investir o que era necessário na saúde, educação, segurança. Cuidamos do planejamento financeiro, mantemos os salários em dia. O bom administrador levanta cedo e vai dormir cedo, avalia tudo. Conseguimos manter tudo isso mesmo passando por uma das piores crises hídricas que já se viu, assolou a região toda, e nós mantivemos a população com água na torneira, com uso racional. Isso me transformou muito, e isso nos tornou autoridade no tema hídrico. Tivemos a responsabilidade. Sofremos também uma crise política. Passamos por uma cassação de uma presidente. Ligava a televisão e tinha políticos sendo presos. E posso dizer que passamos oito anos sem sequer um problema nesse sentido. Só tenho que agradecer aos nossos colaboradores. Conseguimos superar e sobreviver. É uma sensação de dever cumprido, de alguém que ama o que faz. E cito também minha esposa Andréa por ser um dos pilares para me ouvir e ajudar.
Como foi receber a notícia da pandemia? O que passou pela sua cabeça?
Naquele momento eu já estava um pouco mais preparado, porque quando houve a crise hídrica, chorei muito, isso eu devo confessar. Porque água também é vida. Quando veio a questão financeira, em 2015, aquela crise deixou pais de família sem receber salário por meses. Teve prefeitura parcelando, porque a crise era muito forte. E aí tivemos que achar solução. Digo isso porque são duas crises que não podemos deixar de lembrar delas. E no último ano de governo, quando estava preparando para me deleitar de todo nosso feito, nosso trabalho, nos deparamos com um problema que começou pequeno, aí veio o primeiro caso, correria para montar local para atender, aumentar leitos, precisamos do distanciamento… naquele momento eu entendi que, como em todos os outros de dificuldades, era um momento de sabedoria, que estávamos tratando com a vida das pessoas. Então vamos seguir rigorosamente o que diz a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o governo do estado, porque eles sabem o que estão fazendo. Vamos ouvir nossos técnicos da saúde. E o tempo todo acompanhando. Foi e está sendo muito tenso. Eu não esperava. Me deixou muito triste começar com uma grande dificuldade e terminar com uma grande dificuldade. Mas foi um grande aprendizado para todos nós. Aprendemos quem somos, porque devemos amar uns aos outros, o quanto é importante abraçar alguém. Notamos que tudo podemos esperar. Que devemos viver ao máximo com as pessoas que nós amamos. Nós estávamos perdendo esse valor. É um momento que temos que entender que salvar vidas era o mais importante. Pandemia só via nos livros, filmes. Devemos respeitar os médicos, especialistas e lembrar que existe pesquisadores. E até então ninguém ligava para essas pessoas, e hoje sabemos que são tão importantes quanto os governantes.
Teve algum tabu que foi quebrado em seu governo?
Qual era o tabu: nós precisávamos mostrar que Nova Odessa era uma cidade pequena, mas organizada a tal ponto que morar em Nova Odessa tem a mesma qualidade de vida que morar em Americana, Nova Odessa, Campinas. Que não éramos uma cidade dormitório. Era o que se ouvia na região. Que era uma cidade que não tinha bons restaurantes, espaços de lazer para as famílias, nós quebramos esse tabu. Nova Odessa teve mais de 200 mil visitas no Sonho de Natal, recebeu artistas internacionais em seu teatro municipal, conseguimos trazer uma Etec que tem 1.800 alunos que atende a região aqui, uma das maiores. É uma quebra de tabu maravilhosa, sair de uma cidade dormitório para uma cidade com qualidade de vida, com 100% do esgoto tratado, água em todas as casas, escola para as crianças. Demonstrou uma cidade acolhedora, segura e com locais para passear. Se tem um tabu, o tabu é esse.
Ficou alguma coisa para trás, que não deu para fazer?
Acredito que conseguimos atender todas as nossas obras. Mas é claro que alguns projetos são muito grandes. Na Saúde, tivemos que começar uma reestruturação completa quando assumi, hospital estava há 20, 30 anos sem reforma, com infiltração, sem AVCB. O que eu gostaria de terminar seria nessa área do hospital. Fizemos a parte de fisioterapia, maternidade, recepção, fizemos postos de saúde, novos equipamentos, respiradores, sala de diagnóstico por imagem. Tudo isso para que Nova Odessa possa também ter uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Acredito que, para o futuro, é inevitável ter. Mesmo sabendo que a UTI não é do município, ela acaba sendo regulada pelo Estado, que define quem tem a necessidade. Eu gostaria que a cidade tivesse, mas não daria para a cidade ter implantado no começo do nosso governo, porque tinha muita coisa pra fazer antes. Inclusive estou deixando o dinheiro para reforma do ambulatório de especialidades. Terminando o mandato, deixando R$ 600 mil. O que eu investi na Saúde passa de R$ 20 milhões. É diferente fazer uma obra de saneamento, que é mais rápido, mas dentro de um hospital, é bem mais devagar, tem que ir remanejando paciente, não pode fazer tanto barulho, é diferente fazer reforma hospitalar.
Para as eleições de 2022, a região tem nomes fortes para a disputa. O seu é um deles?
Político bom, é político que disputa as eleições, que faz política constantemente, gosto da política, respeito os bons políticos, mas aqueles que fazem o bem para a comunidade. Nesse momento, falar que sou candidato em 22, não sou. Pretendo estar atuando na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa, mas disputar, não está no meu contexto. Não posso dizer que não vou ser, mas não tenho esse plano. A gente nunca fecha a porta, porque estou à disposição do meu partido, mas meu desejo agora é seguir atuando, porque já temos a experiência nessas articulações. É louvável que Santa Bárbara tenha bons nomes, Americana também, e que Nova Odessa tenha também.
O que mais te preocupa a partir de janeiro de 2021 em relação à cidade?
Durante o governo, meu horário de dormir era deitar às 23h e no máximo 5h eu estava de pé, ligando pra assessores e secretários. A partir de janeiro, vou poder acordar 7h da manhã, poder trabalhar no horário comercial. Ter a tranquilidade e a sensação de dever cumprido. Porque quando estamos prefeito, onde eu estiver, até fora do país, ainda estou prefeito. Dormindo, eu estou prefeito. É um responsabilidade imensa. A nossa vida e dos nossos filhos está na mão desses governantes. O que nos preocupa é que a pessoa que estiver à frente vai ter que entender é que nós imprimimos um ritmo muito acelerado e para o povo, depois que ele conhece o bom, o mais ou menos não vale nada.




