As cinco unidades do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, localizado no Jardim Novo Ângulo, em Hortolândia, abrigam atualmente 7.029 detentos. O número representa uma superlotação de 62% em relação à capacidade nominal das unidades, que é de 4.346 vagas. Ao todo, são 2.683 presos acima da capacidade prevista.
Os dados são disponibilizados em tempo real pela SAP-SP (Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo), por meio de um painel online.

CDP registra maior superlotação
A situação mais crítica é a do CDP (Centro de Detenção Provisória) Campinas, que abriga 1.649 detentos, embora tenha capacidade para 822 pessoas. O excedente representa uma ocupação 101% acima do limite da unidade.
Entre as cinco unidades do complexo, a menor taxa de superlotação é a do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) Hortolândia. A unidade tem capacidade para 1.125 presos, mas atualmente abriga 1.460, um excedente de cerca de 30%.
Foi justamente no CPP Hortolândia que um detento de 29 anos tentou fugir na última segunda-feira (28). O preso, que cumpre pena por roubo e tráfico de entorpecentes, pulou dois alambrados com concertinas, sofreu ferimentos e foi contido por policiais penais antes de deixar o complexo. Ele recebeu atendimento médico e permanece à disposição da Justiça.
Sindicato aponta falta de efetivo
O diretor-presidente do SindPenal (Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo), Antonio Pereira Ramos, afirmou que a superlotação é agravada pela falta de investimentos em novas unidades e pela redução do efetivo de policiais penais.
Segundo ele, o sistema enfrenta crescimento da população carcerária sem aumento proporcional da estrutura e do número de servidores. “Você teve um crescimento populacional de 7,25% só em 2025. Ao mesmo tempo, houve exonerações, não foram realizados concursos públicos e não houve investimento suficiente no sistema prisional. Isso aumenta os riscos para os profissionais, dificulta a ressocialização e preocupa também a sociedade”, afirmou.
Dimensão do complexo dificulta fiscalização
Ainda de acordo com Antonio Ramos, o tamanho do Complexo Campinas-Hortolândia representa outro desafio para a segurança. Segundo o dirigente sindical, a área ocupada pelas unidades equivale a aproximadamente 50 alqueires, exigindo grande quantidade de servidores, viaturas e equipes para fiscalização permanente.
Ele afirmou que o sindicato encaminha ofícios ao Governo do Estado cobrando concursos públicos, reforço no efetivo e investimentos na estrutura do sistema prisional.

SAP prevê novas vagas
Questionado pela reportagem, o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) não informou, até o fechamento desta matéria, se acompanha a situação de superlotação do complexo.
Já a SAP-SP informou, em nota, que o Complexo Campinas-Hortolândia “opera dentro dos padrões de segurança e disciplina”.
A secretaria acrescentou que o Governo do Estado prevê a construção de duas novas unidades prisionais, com capacidade para 1.646 vagas. No entanto, não informou onde os presídios serão construídos, quando serão entregues ou se atenderão diretamente à demanda da região de Campinas e Hortolândia.
Por fim, a pasta afirmou que mantém diálogo permanente com a sociedade civil para o aprimoramento do sistema prisional.





