sábado, 1 agosto 2026
SUPERLOTAÇÃO

Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia tem 62% mais detentos que capacidade

Unidades têm atualmente 2.683 presos e detentos acima da capacidade; sindicato cobra melhorias em condições de trabalho
Por
Vagner Salustiano

As cinco unidades do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia, localizado no Jardim Novo Ângulo, em Hortolândia, abrigam atualmente 7.029 detentos. O número representa uma superlotação de 62% em relação à capacidade nominal das unidades, que é de 4.346 vagas. Ao todo, são 2.683 presos acima da capacidade prevista.

Os dados são disponibilizados em tempo real pela SAP-SP (Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo), por meio de um painel online.

Complexo Penal do Jardim Novo Ângulo abriga atualmente mais de 7 mil homens onde caberiam 4.300. Foto: Divulgação/OAB Campinas

CDP registra maior superlotação
A situação mais crítica é a do CDP (Centro de Detenção Provisória) Campinas, que abriga 1.649 detentos, embora tenha capacidade para 822 pessoas. O excedente representa uma ocupação 101% acima do limite da unidade.

Entre as cinco unidades do complexo, a menor taxa de superlotação é a do CPP (Centro de Progressão Penitenciária) Hortolândia. A unidade tem capacidade para 1.125 presos, mas atualmente abriga 1.460, um excedente de cerca de 30%.

Foi justamente no CPP Hortolândia que um detento de 29 anos tentou fugir na última segunda-feira (28). O preso, que cumpre pena por roubo e tráfico de entorpecentes, pulou dois alambrados com concertinas, sofreu ferimentos e foi contido por policiais penais antes de deixar o complexo. Ele recebeu atendimento médico e permanece à disposição da Justiça.

Sindicato aponta falta de efetivo
O diretor-presidente do SindPenal (Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo), Antonio Pereira Ramos, afirmou que a superlotação é agravada pela falta de investimentos em novas unidades e pela redução do efetivo de policiais penais.

Segundo ele, o sistema enfrenta crescimento da população carcerária sem aumento proporcional da estrutura e do número de servidores. “Você teve um crescimento populacional de 7,25% só em 2025. Ao mesmo tempo, houve exonerações, não foram realizados concursos públicos e não houve investimento suficiente no sistema prisional. Isso aumenta os riscos para os profissionais, dificulta a ressocialização e preocupa também a sociedade”, afirmou.

Dimensão do complexo dificulta fiscalização
Ainda de acordo com Antonio Ramos, o tamanho do Complexo Campinas-Hortolândia representa outro desafio para a segurança. Segundo o dirigente sindical, a área ocupada pelas unidades equivale a aproximadamente 50 alqueires, exigindo grande quantidade de servidores, viaturas e equipes para fiscalização permanente.

Ele afirmou que o sindicato encaminha ofícios ao Governo do Estado cobrando concursos públicos, reforço no efetivo e investimentos na estrutura do sistema prisional.

Antonio Pereira Ramos, diretor-presidente do SindPenal, alertou para problemas no Complexo. Foto: Vagner Salustiano/TV TODODIA

SAP prevê novas vagas
Questionado pela reportagem, o MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo) não informou, até o fechamento desta matéria, se acompanha a situação de superlotação do complexo.

Já a SAP-SP informou, em nota, que o Complexo Campinas-Hortolândia “opera dentro dos padrões de segurança e disciplina”.

A secretaria acrescentou que o Governo do Estado prevê a construção de duas novas unidades prisionais, com capacidade para 1.646 vagas. No entanto, não informou onde os presídios serão construídos, quando serão entregues ou se atenderão diretamente à demanda da região de Campinas e Hortolândia.

Por fim, a pasta afirmou que mantém diálogo permanente com a sociedade civil para o aprimoramento do sistema prisional.

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