A família de Lívia Bevilacqua Batista, de 20 anos, ainda aguarda a liberação do corpo da jovem pelo IML (Instituto Médico Legal) de Campinas. Ela foi identificada pelos familiares como uma das vítimas do acidente envolvendo um Porsche que bateu em uma árvore e pegou fogo na noite de sexta-feira (10), na Rodovia Francisco Von Zuben (SP-091), entre Campinas e Valinhos.
Segundo a Polícia Militar Rodoviária, o motorista perdeu o controle da direção e o veículo foi completamente tomado pelas chamas. Após o incêndio ser controlado pelo Corpo de Bombeiros, os dois ocupantes foram encontrados carbonizados dentro do carro.

A outra vítima é Arthur Rodrigues de Souza, também de 20 anos. Proprietário e condutor do Porsche, ele morava em Albertina (MG) e cursava Medicina em Campinas. De acordo com relatos, a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) de Arthur estaria suspensa. O corpo dele foi sepultado na manhã de domingo (12), no Cemitério Municipal de Albertina.
Família aguarda despedida
Enquanto enfrenta o luto, a família de Lívia espera a conclusão dos procedimentos periciais para realizar o velório e o sepultamento. Em entrevista, a irmã mais velha, Bianca Bevilacqua, contou que o pai esteve no local do acidente e depois foi ao IML acompanhar a identificação. “Quando ele chegou lá, encontrou uma parte da roupa dela. Depois foi ao IML, onde infelizmente veio a confirmação de que era a filha dele. Ele sabia que era ela, mas as autoridades ainda não liberaram o corpo”, relatou.
Segundo Bianca, a demora tem prolongado o sofrimento. “Nós ainda não pudemos organizar nada, fazer uma missa, prestar a última homenagem ou nos despedir dela. O nosso único pedido é que ela seja liberada para que possamos dar a ela uma despedida digna e iniciar o nosso luto.”
Ela afirma que os familiares já forneceram toda a documentação solicitada, incluindo dados para identificação pela arcada dentária, além de imagens que mostram Lívia entrando no carro de Arthur na noite do acidente. “Nós entendemos que existem procedimentos técnicos que precisam ser respeitados, mas precisamos aliviar a angústia da nossa família. O nosso único pedido é que possamos nos despedir da Lívia com dignidade”, disse.
Irmã pede respeito à memória de Lívia
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa da região. Diante de comentários sobre as circunstâncias do acidente, Bianca decidiu falar publicamente para defender a memória da irmã. “Algumas pessoas têm atacado a Lívia, dizendo que ela foi irresponsável por ter entrado no carro. Mas peço que tenham muito cuidado antes de fazer esse tipo de julgamento. Eles saíram juntos, beberam juntos, e ele foi buscá-la na minha casa. A Lívia confiava nele. Ela não entrou no carro de um desconhecido. Era uma pessoa que ela conhecia havia mais de um ano e com quem havia voltado a ter contato recentemente.”
Segundo Bianca, Lívia e Arthur se conheciam há mais de um ano. Os dois ficaram um período sem contato, mas haviam retomado a amizade recentemente. Na noite do acidente, saíram juntos de um bar, e a jovem seguia para casa quando ocorreu a batida, a poucos minutos de sua residência.
“Perdi um pedaço de mim”
Bianca afirma que aceitou conceder a entrevista para que a irmã seja lembrada pela trajetória de vida, e não apenas pelas circunstâncias da morte. “A minha irmã sempre foi uma menina muito responsável. Quem a conheceu sabe disso. Ela estudava, trabalhava, tinha sonhos, era uma filha maravilhosa, uma irmã incrível.”
Ela descreve Lívia como uma jovem querida por familiares e amigos. “Era doce, carinhosa, iluminada, educada e muito querida por todos que a conheciam. Tinha uma alegria que contagiava qualquer ambiente e um coração enorme.”
Ao final, Bianca fez um apelo para que a imagem da irmã seja preservada. “Eu espero que as pessoas me compreendam como irmã mais velha. Eu perdi um pedaço de mim. A minha estrelinha agora está no céu. A Lívia merece ser lembrada pelo sorriso, pela doçura, pela luz que carregava e por todos os sonhos que tinha. É essa lembrança que eu quero que permaneça.”
Até a conclusão dos exames periciais e da identificação oficial, a família segue aguardando a liberação do corpo pelo IML de Campinas para poder se despedir de Lívia Bevilacqua Batista.





