No dia 13 de julho é celebrado o Dia Mundial do Rock, data criada em homenagem ao Live Aid, megaevento realizado em 1985 com shows simultâneos em Londres e na Filadélfia para arrecadar recursos contra a fome na Etiópia. O festival reuniu grandes nomes da música, como Paul McCartney e Mick Jagger, e acabou inspirando a comemoração, que ganhou força especialmente no Brasil.
Em Piracicaba, onde muitos associam a identidade musical à tradição caipira, o rock também tem espaço garantido. Um dos símbolos dessa paixão é o artesão Hamilton Orsini, conhecido como Mick — apelido que remete ao vocalista dos Rolling Stones, embora sua grande paixão sejam os Beatles. “Alguém me chamava Hamilton, alguém entendeu Mick e ficou Mick. Isso faz uns 40 anos”, conta.

Banca de artesanato virou ponto do rock
Há cerca de 40 anos, Mick mantém uma banca de artesanato na Praça José Bonifácio. O trabalho começou com produtos de couro e, com o tempo, o espaço se transformou em ponto de encontro para fãs de rock, impulsionado pelas camisetas de bandas. “Aqui na praça, com essa banca, faz 20 anos agora. Estamos aqui desde 2006, mas antes a gente tinha uma banquinha menor. A gente vende artesanato aqui nessa praça há uns 40 anos. Eu vendia mais os produtos que eu fazia, bolsa de couro, chinelo de couro, sandália, e depois foi aumentando a procura. Começou a aparecer essa camiseta de banda e eu continuo até hoje”, explica.
Apelido de Stones, coração nos Beatles
Apesar do apelido inspirado nos Rolling Stones, Mick revela que o coração sempre esteve com os Beatles. Beatlemaníaco desde os 12 anos, ele transformou a paixão pelo rock em estilo de vida. “Eu sou beatlemaníaco. Desde os meus 12 anos eu já ouvia os Beatles e nunca me apartei, nunca. Todas as músicas eu sempre curti. Eu sempre tive vontade de tocar guitarra, mas eu comecei a aprender, desisti. Depois, em 1974, fui embora de Piracicaba, coloquei uma mochila nas costas, conheci o Brasil, depois a América do Sul, e nesse tempo comecei a fazer artesanato e gostar de música”, relembra.
Camisetas e acessórios para todas as gerações
Na banca, as opções atendem diferentes gerações de fãs. Charlie Brown Jr., Rita Lee e Raul Seixas dividem espaço com clássicos internacionais. “Charlie Brown é uma banda brasileira, de Santos, e o pessoal gosta muito. Tem Rita Lee, que foi a nossa primeira roqueira brasileira. Depois, Black Sabbath, quem não curtiu Black Sabbath? Esse é das antigas. Aí o nosso Raulzito também. Todo maluco beleza tem que curtir Raul. Tem Nirvana e, quando eu vou fazer compra em São Paulo, o pessoal me chama de Nirvana porque há 25 anos eu tinha cabelo e era parecido com o Kurt Cobain”, brinca.
Além das camisetas, a banca reúne pulseiras e outros acessórios que fazem sucesso entre os clientes. “Eu tenho também pulseira, tudo isso aqui. O pessoal roqueiro gosta de usar. Sai bastante aqui. Eu tenho bastante clientes”, afirma.
Mais de quatro décadas depois do Live Aid, o rock segue encontrando espaço em Piracicaba. Enquanto houver procura por camisetas, pulseiras e outros artigos do gênero, a banca do Mick na José Bonifácio continua como exemplo de que a paixão pela música atravessa gerações e mantém viva a tradição do rock na cidade.





