
O número de casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) apresenta sinal de queda nas tendências de longo e de curto prazo no Estado de São Paulo. A análise se refere à última semana de dezembro e à primeira semana de janeiro.
Os dados são do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgado neste mês, com base na análise de todo o ano de 2025. Os maiores registros de Srag ocorreram entre a semana epidemiológica 13 e a semana 28, período que corresponde aos meses de março a julho.
Motivo da redução
A pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e do Boletim InfoGripe, Tatiana Portella, explica que a diminuição dos casos está relacionada ao comportamento sazonal dos vírus respiratórios e as estações climáticas.
“Os casos atingiram um nível de incidência que consideramos baixo para a região. É esperado observar uma redução desses casos graves de vírus respiratórios, como a influenza e o VSR, nesta época do ano, já que esses vírus apresentam comportamento sazonal e ocorrem com mais frequência no inverno e no outono. No verão, em períodos mais quentes, não é esperado observar uma alta desses casos” explica a pesquisadora.
Covid-19 exige atenção permanente
Tatiana Portella alerta, no entanto, que o único vírus respiratório que não apresenta sazonalidade é a Covid-19, o que pode levar a um aumento inesperado de casos graves. “Geralmente ocorre uma alta de casos de Covid-19 quando surge uma variante mais infecciosa ou mais transmissível, mas felizmente não temos observado essa tendência no momento. Por isso, temos visto uma baixa circulação desses vírus respiratórios nesta época do ano “, reforça.
Como é feito o monitoramento
Os casos graves de vírus respiratórios são monitorados por meio da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que inclui situações que exigem hospitalização e cuidados mais intensivos. A notificação é obrigatória, conforme as normas vigentes, e deve ser realizada por todos os hospitais, públicos e privados.
Além da notificação, os pacientes passam por testes laboratoriais para identificação dos vírus respiratórios. Atualmente, são utilizados testes multiplex, capazes de detectar simultaneamente diferentes agentes, como Covid-19, influenza e vírus sincicial respiratório, principais responsáveis pelos quadros mais graves.
Os resultados são registrados em bases de dados oficiais, como o sistema CVEP Gripe. A partir dessas informações, os casos são analisados para identificar tendências de crescimento ou redução, bem como a intensidade e o nível de incidência, classificados como baixo, alto ou muito alto.
Sintomas semelhantes
A pesquisadora destaca que os sintomas causados pelos diferentes vírus respiratórios são muito semelhantes, dificultando a identificação sem testagem.
“Os sintomas são muito parecidos e podem incluir tosse, coriza e febre. Para saber qual vírus causou o caso grave, é necessário realizar um teste. O padrão ouro é o PCR, mas também existem testes rápidos para Covid-19, influenza e VSR. É difícil diagnosticar o vírus causador apenas com base nos sintomas “, esclarece a pesquisadora.
Grupo de risco
A pesquisadora reforça que a incidência de SRAG é mais elevada entre pessoas com comorbidades, crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos “é fundamental ficar atento a qualquer sinal de piora, como dificuldade para respirar, febre prolongada ou descompensação de alguma doença de base. Diante de qualquer agravamento, é essencial procurar atendimento médico para receber o suporte necessário.”
Ela ressalta que pessoas fora dos grupos de risco também devem manter atenção em casos de sintomas parecidos.
Cuidados recomendados
O uso de máscara é recomendável em caso de sintomas gripais, a busca por atendimento médico e a manutenção da carteira de vacinação atualizada.
“É importante que as pessoas mantenham o calendário de vacinação em dia. Idosos, pessoas com comorbidades, crianças e imunocomprometidos precisam tomar a vacina contra a Covid-19. Idosos e pessoas imunocomprometidas devem receber doses de reforço a cada seis meses. É fundamental verificar se o calendário vacinal está atualizado”, comenta Tatiana.
Óbitos por SRAG em 2025
Em 2025, foram notificados no país, 13.678 óbitos por SRAG. Desses, 6.889 (50,4%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 5.524 (40,4%) foram negativos e pelo menos 222 (1,6%) aguardavam resultado.
Entre os óbitos positivos ao longo do ano, 47,8% foram causados por influenza A, 1,8% por influenza B, 10,8% por vírus sincicial respiratório, 14,9% por rinovírus e 24,7% por Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência foi de 28% de influenza A, 3% de influenza B, 3% de vírus sincicial respiratório, 25,8% de rinovírus e 34,8% de Sars-CoV-2.





