sábado, 25 maio 2024
PESQUISA

Hospital de Clínicas da Unicamp mostra perfil de crianças atacadas por cães

Com dados de janeiro de 2010 a dezembro de 2019 ao todo foram 1.012 atendimentos na emergência pediátrica
Por
Ana Flávia Defavari
Foto: Divulgação

Uma pesquisa conduzida dentro do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp apresenta dados e perfil de agressões por cães na região.

O estudo foi comandado pela médica pediatra Michelle Marchi de Medeiros e os dados foram coletados dos atendimentos de crianças de 0 a 14 anos realizados pela Unidade de Emergência Referenciada Infantil do HC da Unicamp.

Com informações do período de janeiro de 2010 a dezembro de 2019 e das fichas de atendimento do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas), responsável pela aplicação de antirrábicas nas vítimas de mordeduras de cães, foram analisados 1.012 atendimentos na emergência pediátrica.

A pesquisa identificou que crianças do sexo masculino foram mais atacadas (65,2%) do que as do sexo feminino (34,8%) em acidentes com cães. Em relação a faixa etária, as crianças que mais sofreram ataques estão entre 7 e 14 anos, em números são 498 pacientes (49,2%) dos 1.012 atendidos. Em seguida, está a faixa entre quatro e seis anos com 268 pacientes (26,5%) e crianças de zero a três anos com 246 pacientes (24,3%).

A maioria dos incidentes reportados e analisados nesta pesquisa são de cunho acidental (64,9%) em todas as faixas etárias. Em relação a raça dos cães apenas 49,4% estavam descritas nas fichas de atendimento onde foram documentadas no total 26 raças onde 36,2% eram animais SRD (sem raça-definida) sendo os mais comuns, seguidos pelas raças Pit Bull (3,6%), Pastor Alemão (1,4%) e Poodle (1,3%).

Em sua maioria, os acidentes são causados por animais sadios (55,3%) e domiciliados (44,5%). Em 394 casos (38,9%) eram de cães não domiciliados e em 143 eram de animais semi-domiciliados, onde o animal tem um dono e residência, mas é solto para “dar voltinhas” desassistido. Cerca de 68,2% dos acidentes aconteceram em ambientes externos enquanto 31,5% dos casos aconteceram na própria casa da criança.
A Pesquisa também apurou onde as lesões causadas pelos ataques foram maias prevalentes, sendo destaque cabeça e pescoço.
• Cabeça e pescoço – 37,4%
• Membros superiores – 34%
• Membros Inferiores – 27,9%
• Tronco – 9,4%
• Mucosas – 1,4%

As lesões em cabeça e pescoço são mais recorrentes em crianças mais jovens enquanto lesões em membros superiores e inferiores estão entre crianças de seta a 14 anos.

Elas são mais frequentemente mordeduras sendo descritas em mais de 78% dos casos seguido de arranhões e lambeduras. As lesões profundas são descritas em 84% dos casos enquanto lesões dilacerantes foram relatadas com mais frequência em cabeça e pescoço (7,7%) seguido por membros inferiores (5,0%) e membros superiores (2,0%).

Michelle Marchi de Medeiros, pesquisadora e médica pediatra, explica que esta é uma das únicas pesquisas que avalia as diferenças entre os acidentes com cães em diversas faixas etárias em pediatria no Brasil.

“Sem dúvida, ocorrem muitas mordeduras de cães que não chegam às unidades de emergência dos hospitais terciários. As crianças maiores sofrem mais ferimentos por cães não-passíveis de observação. Isso implica na necessidade de uso de imunobiológicos para prevenção da raiva, gerando custos aos serviços de saúde de Campinas”, disse.

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