
A morte da jovem Maria Eduarda, de 21 anos, durante uma prática de rope jump em Limeira levou o Ministério Público de São Paulo a denunciar quatro pessoas por homicídio com dolo eventual. Segundo a Promotoria, os acusados assumiram o risco de provocar o resultado ao realizar o salto sem que a corda de segurança estivesse conectada ao equipamento de proteção. A vítima caiu de uma ponte com cerca de 30 metros de altura e morreu por politraumatismo em 17 de junho.
Três homens e uma mulher são denunciados
A denúncia foi apresentada nesta terça-feira (7). Três homens foram denunciados por homicídio com dolo eventual, com qualificadoras por motivo torpe e por recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A quarta denunciada responderá pelo mesmo crime, segundo o MP, por omissão imprópria, por ser apontada como responsável pela garantia da segurança dos participantes. Ela também foi denunciada por fraude processual.
Salto em evento pago na Ponte do Esqueleto
O caso ocorreu durante um evento pago realizado em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, um viaduto ferroviário desativado em Limeira. De acordo com o Ministério Público, os denunciados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia, sem estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem seguir protocolos básicos de segurança.
Maria Eduarda participou da modalidade conhecida como “aviãozinho”, em que o praticante é erguido pelos operadores e lançado da estrutura. Segundo a denúncia, no momento do salto, a corda de segurança não estava conectada ao peitoral da vítima.
Falhas de segurança e exigências legais não cumpridas
O MP afirma que os responsáveis pela execução tinham conhecimento dos riscos da atividade, mas não adotaram medidas fundamentais, como conferência da conexão dos equipamentos e dupla checagem antes de cada salto.
A Promotoria também aponta que a exploração comercial da atividade não atendia exigências legais, como inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), contratação de seguro de responsabilidade civil e coleta de documentos de ciência dos riscos assinados pelos participantes.
Organizadora é acusada de fraude processual
Em relação à organizadora do evento, o Ministério Público sustenta que ela tinha o dever de garantir condições mínimas de segurança e interromper a atividade diante de falhas identificadas.
A denúncia afirma ainda que ela teria determinado a localização de uma câmera GoPro utilizada pela vítima e a exclusão do conteúdo gravado, com o objetivo de dificultar a investigação. A câmera continua desaparecida.
MP pede manutenção das prisões e indenização
O Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva dos três homens denunciados e a conversão da prisão temporária da mulher em preventiva.
A Promotoria também solicitou que a Justiça fixe reparação de R$ 200 mil pelos danos causados à família da vítima.





