
A sensação de insegurança causada pelo aumento de crimes como roubos e furtos faz com que 91% da população se sinta vulnerável no dia a dia, segundo levantamento encomendado pelo Instituto Sou da Paz e divulgado em maio.
O estudo aponta ainda que 63% das mulheres e 51% dos homens mudaram hábitos da rotina para evitar situações de violência, enquanto 60% afirmam não acreditar que manter uma arma em casa seja garantia de proteção.
Mesmo diante desse cenário, a pesquisa revela que mais da metade da população confia nas instituições de segurança pública.
A Polícia Federal aparece como a instituição com maior índice de confiança, com 68%, enquanto a Guarda Civil Municipal registra 55% de aprovação entre os entrevistados.
O levantamento foi realizado entre novembro e dezembro de 2025, em âmbito nacional, com 1.115 entrevistas presenciais, pessoais e domiciliares.
Segundo a diretora de projetos do Instituto Sou da Paz, Natália Pollachi, o reconhecimento da violência não necessariamente significa perda de confiança nas instituições.
“A frase ‘Bandido bom é bandido morto’ já não tem mais adesão junto à população, que passa a demandar novas respostas. Ao mesmo tempo, há confiança nas instituições e um desejo de mudança. Existe também uma demanda por inovação nas propostas e nas políticas públicas implementadas. A pesquisa não aponta uma desconfiança nas instituições. O que ela revela é um desejo de mudança em relação à postura, às propostas e ao tipo de política que vem sendo adotada”, afirmou.

Armas em casa dividem opiniões
Os dados apontam que a violência contra as mulheres aparece entre os tipos de violência mais mencionados pelos entrevistados, com 83% das respostas, mesmo percentual registrado para assassinatos e mortes violentas.
Entre as mulheres, 69% afirmam não considerar a posse de arma de fogo em casa uma garantia de segurança, enquanto apenas 25% são favoráveis à medida.
Entre os homens, os percentuais aparecem mais equilibrados: 49% se disseram favoráveis e 48% contrários.
Natália Pollachi afirma que políticas públicas precisam responder de forma adequada à violência doméstica e às dificuldades enfrentadas pelas mulheres para romper ciclos de agressão. “Essas soluções fáceis e vazias vêm sendo repetidas há décadas, como a ideia de que, para se sentir seguro, basta comprar uma arma para se defender. As mulheres não aderem a esse discurso. Isso pode acontecer porque elas reconhecem, com mais facilidade, que ter uma arma em casa não garante uma reação bem-sucedida diante de uma tentativa de crime”, afirmou.
A diretora também destacou os riscos relacionados ao acesso facilitado a armas de fogo dentro do ambiente familiar. “Essa percepção, muitas vezes difundida na sociedade, de que a arma nas mãos do chamado ‘cidadão de bem’ não causa danos, é contestada por muitas mulheres. Elas sabem que esse homem trabalhador, que paga impostos e é visto socialmente como ‘cidadão de bem’, pode ser violento dentro de casa ou apresentar momentos de descontrole emocional. Por isso, as mulheres também estão mais atentas aos riscos que o acesso facilitado à arma pode trazer para a própria família e para elas mesmas. Em situações de descontrole, a arma pode acabar provocando uma tragédia”, completou.

Roubos e furtos lideram preocupação
Segundo o levantamento, roubos e furtos aparecem no topo da lista de preocupações relacionadas à segurança pública, com 91% das menções. Logo em seguida aparecem os roubos de celulares e o tráfico de drogas, ambos com 89%.
O medo da violência fez com que 57% da população alterasse hábitos cotidianos, como evitar sair à noite, deixar de utilizar o celular na rua, mudar trajetos e evitar determinados locais. As mudanças de rotina foram mais registradas entre mulheres, com 63%, contra 51% entre homens.
Câmeras corporais têm apoio da população
A pesquisa aponta ainda que 82% dos entrevistados são favoráveis ao uso de câmeras corporais por policiais. Além disso, 65% afirmaram acreditar que a sociedade necessita de uma polícia mais preparada. O levantamento também mostrou que apenas 25% concordam com a afirmação de que “a polícia prende mal e, por isso, a Justiça precisa soltar”.
Para Natália Pollachi, as câmeras corporais também representam proteção aos próprios agentes de segurança. “Policial que é vítima de uma agressão, o policial que precisa se defender, quando ele tem essas imagens gravadas, isso também o protege”, afirmou.
A diretora também defendeu maior valorização profissional e investimentos em saúde mental para os policiais. “É necessário ampliar e tornar mais eficientes os programas de saúde mental voltados aos policiais. Os índices de suicídio entre esses profissionais são alarmantes, o que demonstra um cenário de adoecimento. Um profissional adoecido não consegue prestar um serviço público de qualidade. Também é preciso haver mais atenção e acompanhamento desses policiais, para garantir condições adequadas de saúde, tanto pelo bem-estar dos próprios profissionais quanto pela qualidade do serviço oferecido à população”, afirmou.





