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Pesquisa da Unicamp revela ‘venenos’ no leite

Técnica desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas é capaz de detectar formol, cândida e até soda cáustica no produto

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) desenvolveu uma técnica para detectar a adulteração do leite. O objetivo é identificar elementos “invisíveis” que podem ser misturados à bebida para, entre outras coisas, ampliar sua vida útil, mas que podem causar riscos à saúde do ser humano.

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Muito já se falou sobre a adulteração de produtos alimentares, entre eles o leite, que é reconhecidamente uma fonte de nutrientes essenciais, como proteínas, lipídeos e gorduras de qualidade, e que tem impacto direto na saúde pública.

Adição de água, gordura vegetal e substâncias que prologam a validade do leite são as mais comuns e podem ocorrer em qualquer etapa da cadeia produtiva. Essas adulterações são detectadas facilmente pelos métodos rotineiros para certificar a qualidade do leite.

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No entanto, devido ao aumento do custo de produção e na busca de maior lucratividade, os fraudadores têm desenvolvido técnicas de adulteração mais sofisticadas, com a colocação, por exemplo, de formol, água oxigenada, cândida e soda cáustica no produto.

Adicionadas em baixíssimas quantidades, essas substâncias estendem a vida útil do leite na prateleira, mas causam sérios riscos para a saúde dos usuários. O estudo da Unicamp foi objeto da tese de Doutorado de Tatiane Melina Guerreiro, aluna da universidade, orientada pelo professor Rodrigo Catharino, coordenador do Laboratório Innovare de Biomarcadores, que considera o estudo inovador.

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Segundo ele, o objetivo, além de desenvolver um teste confiável para detecção dessas substâncias, foi analisar também as reações que eles provocam na interação com o leite, ou seja, a geração de subprodutos potencialmente nocivos e as implicações para a saúde do consumidor.

A metodologia, na opinião do orientador, pode servir tanto a órgãos fiscalizadores de qualidade e de defesa do consumidor, como a empresas que utilizam o leite como matéria-prima e queiram se certificar de que o produto não esteja adulterado.

RESULTADOS

Para a pesquisa, Catharino explicou que foram feitas as adulterações em laboratório com leite cru (obtido de um produtor confiável), em quantidades muito pequenas, chegando a 1% de cada substância.

“Unindo a técnica de alta resolução da espectrometria de massas com uma análise estatística poderosa, que chamamos de PLSDA, pudemos comparar os componentes identificados no leite cru e no leite adulterado”, disse.

De acordo com o estudo, o resultado foi um ranqueamento das moléculas (marcadores), diferentes para cada substância estudada, gerando conjuntos variados de marcadores mais importantes para o produto adulterado.

“Vimos também que a maior degradação do leite, tanto de proteínas quanto de lipídeos, ocorreu com a água oxigenada (peróxido de hidrogênio), que gera alta concentração compostos oxidados. Já com o formal (formaldeído), a degradação é menor, mas mais preocupante, porque a substância se liga às proteínas e lipídeos e tem efeito cumulativo. Ou seja, mesma em quantidades baixíssimas, o formol pode implicar em problemas gastrointestinais”, declarou.

Apesar de na pesquisa não terem sido feitos estudos clínicos com o leite, o professor garantiu que não há dúvida de que esse tipo de adulteração causa danos para os usuários.

Segundo ele, o agravante é que o leite não é consumido somente cru, é usado para uma infinidade de formulações, como na indústria farmacêutica e de alimentos.

“Utilizar essa carga de oxidação em toda uma cadeia industrial que tenha como base o leite resulta em produtos de má qualidade, expondo a população a sérios riscos”, afirmou.

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