As mulheres representam a maioria da população nas dez cidades da área de cobertura da TV TODODIA. Em média, elas correspondem a 51,33% dos moradores, enquanto os homens representam 48,67%, segundo dados demográficos dos municípios.
Apesar disso, elas enfrentam mais dificuldade para construir uma reserva financeira. Pesquisa nacional da Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box, revelou que 81% das mulheres não possuem reserva de emergência, um dos principais pilares da educação financeira.

Sobrecarga e desigualdade
Para a educadora financeira Marina Farias, a diferença na formação da reserva de emergência está ligada a fatores sociais e econômicos. “O primeiro fator é que as mulheres são maioria entre as chefes de família no Brasil. Além disso, elas acabam administrando praticamente todos os custos da casa. Muitas despesas do dia a dia não são divididas com o parceiro e acabam sendo pagas apenas por elas”, afirmou.
Marina também cita a pressão estética e social como um elemento que pesa no orçamento feminino. “Existe uma cobrança para que a mulher esteja sempre bem vestida, maquiada e preparada para diferentes ocasiões. Tudo isso gera um custo elevado.”
Reserva e inadimplência
A pesquisa mostra que apenas 17% das mulheres conseguem pagar todas as contas do mês e ainda guardar dinheiro. Entre os homens, esse índice sobe para 29%.
Já a renda insuficiente para cobrir as despesas é apontada como principal dificuldade por 30,3% das mulheres, contra 21,5% dos homens. Dados da Fundação Seade reforçam essa diferença. No primeiro semestre de 2026, no Estado de São Paulo exceto a Região Metropolitana da capital, o rendimento médio das mulheres ocupadas foi de R$ 3.525, enquanto o dos homens chegou a R$ 4.806. “Mesmo em 2026, as mulheres continuam recebendo menos. Estudos mostram que elas podem ganhar até 20% a menos exercendo a mesma função que os homens. Além disso, a mulher também enfrenta a dupla jornada. O cansaço também tem um custo”, disse Marina.
O cenário também aparece no Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Em maio de 2026, as mulheres representavam 50,5% dos consumidores inadimplentes no país. Na comparação com maio de 2025, a inadimplência feminina cresceu 9,2%, enquanto entre os homens o aumento foi de 7,8%.
Como planejar
Para o especialista em educação financeira da Serasa, Fábio Mian, o ideal é destinar entre 20% e 30% da renda mensal para a construção da reserva de emergência. Ele recomenda o uso de ferramentas como o “porquinho” disponível em aplicativos bancários ou aplicações de baixo risco, como CDBs com liquidez diária. “O ideal é aproveitar rendas extras, como o 13º salário, para reforçar essa poupança”, orienta.
A pesquisa também mostra que 52% das mulheres fazem o controle financeiro em um caderno, enquanto entre os homens esse percentual é de 36%. Para Marina Soares, porém, apenas registrar despesas não é suficiente. “O mais importante não é anotar quanto foi gasto depois que o dinheiro já saiu. O essencial é definir previamente quanto pode ser gasto em cada categoria do orçamento, priorizando as despesas básicas e estabelecendo metas mensais”, afirmou.





