Criado em 2005 pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, o Pacto pela Redução do Óbito Materno Infantil se tornou uma das principais estratégias do município para acompanhar gestantes, bebês e famílias em situação de vulnerabilidade. O programa reúne profissionais de diferentes áreas e atua desde o pré-natal até o primeiro ano de vida da criança, com ações de prevenção, monitoramento e assistência especializada.
Um dos fundadores do projeto, o pediatra Rogério Tuon, explica que a iniciativa surgiu após a constatação de índices preocupantes de mortalidade infantil na cidade. Segundo ele, apesar da existência de bons serviços de saúde, ainda havia necessidade de organizar melhor o atendimento às gestantes e recém-nascidos. “Foi formada uma equipe com enfermeiras, profissionais de outras áreas da saúde e técnicos de banco de dados para criar um programa que garantisse o acompanhamento adequado das gestantes e dos bebês. O objetivo era assegurar que essas famílias fossem muito bem atendidas em toda a rede municipal”, afirmou.
Desde então, o programa passou a atuar na qualificação dos profissionais, na organização dos fluxos de atendimento e no suporte às famílias que enfrentam dificuldades durante a gestação e após o nascimento da criança. De acordo com Rogério Tuon, os resultados aparecem nos indicadores municipais. “O coeficiente de mortalidade infantil vem caindo de maneira sustentada desde a implantação do programa. Isso é resultado de diversas ações voltadas à qualificação do atendimento e ao acompanhamento das famílias”, destacou.
Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que, considerando a mesma semana epidemiológica, Piracicaba registrou em 2026 uma redução de aproximadamente 36% dos óbitos infantis em comparação ao mesmo período de 2025.
Monitoramento durante toda a gestação
Uma das principais ferramentas do programa é o monitoramento das gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A técnica de enfermagem Fernanda Luíza Costa Sena explica que o acompanhamento é realizado por telefone ou WhatsApp e ocorre mensalmente. “As gestantes já têm o acompanhamento nas unidades de saúde, mas nós realizamos um acompanhamento complementar. Entramos em contato para saber se está tudo bem, se estão fazendo uso correto dos medicamentos, se conseguiram realizar exames e consultas e se possuem alguma necessidade específica”, explicou.
Segundo ela, o trabalho busca acolher as futuras mães e oferecer apoio durante toda a gestação. “Estamos aqui para que tudo ocorra bem tanto para a mãe quanto para o bebê. É um momento muito importante e, muitas vezes, delicado para as famílias”, afirmou.
Nos casos mais complexos, o acompanhamento é intensificado. “Quando necessário, realizamos um monitoramento mais sistemático. E, se não conseguimos contato com a gestante, buscamos apoio da unidade de saúde e dos agentes comunitários para garantir a continuidade do atendimento”, acrescentou.
Além dos contatos mensais, a equipe também orienta as gestantes sobre consultas, exames, uso correto de medicamentos e acesso aos serviços da rede pública de saúde.

Equipe multidisciplinar amplia o cuidado
Além do monitoramento, o Pacto conta com uma equipe multidisciplinar formada por médicos, enfermeiros, psicóloga e assistente social. A psicóloga Luciene Blumer explica que o trabalho é voltado principalmente aos casos que apresentam maior complexidade social ou emocional.
“Recebemos encaminhamentos da rede de saúde, da assistência social e também da educação. Quando identificamos situações que precisam de uma intervenção psicossocial, iniciamos um acompanhamento mais próximo da gestante ou da criança durante o primeiro ano de vida”, afirmou.
Segundo a profissional, o atendimento pode incluir visitas domiciliares, acompanhamento por telefone, WhatsApp e reuniões envolvendo diferentes setores da rede pública. “Em alguns casos é necessário um olhar mais integrador. Por isso articulamos ações entre saúde, assistência social e educação para garantir um cuidado mais completo às famílias”, explicou.
Luciene destaca ainda que muitos dos casos chegam à equipe por meio do próprio monitoramento realizado pelo programa, permitindo intervenções precoces e mais eficazes.
Rede de proteção para casos graves
A assistente social Jessica Sims destaca que, em situações de maior vulnerabilidade, o trabalho precisa envolver outros órgãos de proteção social. “Nos casos mais graves ou complexos, muitas vezes precisamos acionar a rede de proteção, como os Conselhos Tutelares, os Cras e os Creas. O objetivo é desenvolver um trabalho integral e garantir a proteção tanto das crianças quanto das gestantes”, afirmou.
Segundo ela, essa atuação conjunta permite identificar situações de risco e construir estratégias de atendimento mais eficazes para cada família. O trabalho integrado entre diferentes profissionais é apontado como um dos principais diferenciais do programa, que busca olhar para além das questões clínicas e considerar também os aspectos sociais, familiares e emocionais que influenciam a saúde materno-infantil.
Encontro aproxima famílias dos serviços
Além do acompanhamento diário, o Pacto promove ações educativas voltadas à população. Uma delas foi o 1º Encontro de Gestantes e Famílias, realizado no dia 30 de maio, no Centro Cultural Zazá, no bairro Mário Dedini.
A coordenadora do programa, Valéria Ferreira, explica que a iniciativa teve como objetivo aproximar o serviço da comunidade. “Realizamos o primeiro Encontro de Gestantes e Famílias no Centro Cultural Zazá com o objetivo de aproximar o programa da população. Durante o evento, abordamos temas como saúde mental, cuidados durante a gestação, prevenção de acidentes e também o plano de parto, instrumento importante para ser apresentado nas maternidades e que contribui para a redução da violência obstétrica”, afirmou.
Segundo Valéria, o encontro contou com o apoio de parceiros da comunidade. “O evento também teve a colaboração de apoiadores que contribuíram com alimentação, brindes e sorteios para as famílias participantes. Essa foi uma das ações desenvolvidas pelo Pacto e a expectativa é promover novos encontros para fortalecer cada vez mais essa aproximação com a comunidade”, destacou.
Cuidado que vai além da saúde física
Para a equipe do programa, a atenção à saúde mental também é fundamental para garantir o bem-estar das gestantes e dos recém-nascidos. Rogério Tuon ressalta que a gravidez e a chegada de um bebê geram dúvidas, inseguranças e desafios que exigem acolhimento especializado. “A mulher grávida enfrenta muitas mudanças e, após o nascimento da criança, surgem novas preocupações. Por isso a saúde mental sempre esteve presente nas ações do Pacto”, afirmou.
Atualmente, a equipe é formada por médicos, enfermeiros, técnicas de enfermagem, psicóloga e assistente social, o que permite um acompanhamento amplo e integrado. Com atuação conjunta entre saúde, assistência social e educação, o programa busca oferecer um cuidado completo às famílias piracicabanas, fortalecendo a proteção à maternidade e à infância e contribuindo para a redução da mortalidade infantil no município.
Como acessar o serviço
O Pacto pela Redução do Óbito Materno Infantil funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, oferecendo orientação, acompanhamento e suporte às gestantes e famílias atendidas pela rede municipal de saúde. As famílias interessadas podem entrar em contato pelo telefone (19) 3436-0511 ou acompanhar as ações e informações divulgadas pelo programa no Instagram @pactomaternoinfantil.
O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar composta por médico, enfermeiras, técnicas de enfermagem, psicóloga e assistente social, garantindo suporte especializado desde a gestação até o primeiro ano de vida da criança.





