domingo, 26 julho 2026
MEIO AMBIENTE

Piracicaba apresenta manual para orientar arborização urbana e ampliar áreas verdes

Documento reúne critérios técnicos para plantio, manejo e preservação de árvores, com foco em sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas
Por
Paulo Carlim

Representantes da Prefeitura de Piracicaba, pesquisadores, engenheiros florestais, arquitetos, urbanistas e especialistas em meio ambiente participaram de uma reunião técnica para discutir novas políticas públicas voltadas ao planejamento, implantação e manejo da arborização urbana. Durante o encontro, foi apresentado o Manual de Arborização Urbana, documento que reúne diretrizes técnicas para orientar o desenvolvimento da vegetação na cidade.

Segundo o engenheiro agrônomo Marcelo Machado Leão, idealizador do manual, a proposta é tratar a arborização como parte da infraestrutura urbana, considerando aspectos como planejamento territorial, acessibilidade, segurança, biodiversidade e qualidade ambiental. “O documento propõe justamente essa abordagem integrada, tratando a vegetação como parte da infraestrutura essencial da cidade”, afirmou.

O manual estabelece orientações para o plantio de árvores em vias públicas. Foto: Paulo Carlim/TV TODODIA

Critérios técnicos
O manual estabelece orientações para o plantio de árvores em vias públicas, incluindo recomendações sobre espaçamento, preparo do solo, acessibilidade nas calçadas, escolha de espécies, podas, remoções, substituições, controle fitossanitário e avaliação do risco de queda.

O prefeito Helinho Zanatta afirmou que o documento reúne critérios científicos e operacionais para orientar desde novos plantios até ações de monitoramento e manejo das árvores urbanas. “É importante também na medida que define responsabilidades entre poder público, concessionárias e sociedade civil”, destacou.

Durante a reunião, a presidente da AEAP (Associação de Engenheiros e Arquitetos de Piracicaba), Evandra Bussolo Barbin, ressaltou a importância de adotar parâmetros técnicos permanentes para a escolha das espécies e sua compatibilidade com a infraestrutura urbana.

Biodiversidade e clima
Os especialistas também defenderam a ampliação da diversidade de espécies utilizadas na cidade, reduzindo riscos relacionados a pragas, doenças e eventos climáticos extremos. O manual recomenda priorizar espécies nativas da Mata Atlântica, por apresentarem melhor adaptação às condições ambientais da região e contribuírem para a preservação da biodiversidade. O documento também prevê o combate a espécies exóticas invasoras, como a leucena.

Segundo o engenheiro agrônomo José Flávio Machado Leão, a arborização urbana desempenha papel estratégico diante das mudanças climáticas. “As árvores contribuem para reduzir ilhas de calor, melhorar a qualidade do ar, ampliar a infiltração das águas da chuva, diminuir a poluição sonora, favorecer a fauna urbana e proporcionar benefícios diretos à saúde física e mental da população”, afirmou.

Planejamento urbano
Outro ponto debatido foi a necessidade de ampliar o monitoramento permanente das árvores para reduzir riscos de quedas, acidentes e conflitos com a infraestrutura urbana.

O manual também padroniza procedimentos relacionados ao preparo do solo, escolha das mudas, abertura de canteiros, tutoramento, manutenção e podas, criando uma referência para futuras intervenções.

A expectativa é que o documento passe a orientar projetos urbanísticos, loteamentos, obras públicas e iniciativas privadas que interfiram na paisagem urbana, contribuindo para ampliar a cobertura vegetal, reduzir custos de manutenção e fortalecer a adaptação da cidade às mudanças climáticas.

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