domingo, 6 setembro 2026
DISPUTA AO SENADO

Em Piracicaba, Marina Silva rejeita ideia de polarização e diz que eleição opõe democracia e autoritarismo

Candidata ao Senado por São Paulo afirma que atual cenário político é diferente da antiga disputa entre PT e PSDB, critica a atuação de setores da oposição e defende reformas no Judiciário e no sistema político
Por
Paulo Eduardo Carlim
Ela criticou ainda o crescimento das emendas parlamentares impositivas e afirmou que cerca de R$ 60 bilhões deixam de estar sob controle direto do governo federal. Foto: Paulo Eduardo Carlim

A candidata ao Senado por São Paulo Marina Silva (Rede) rejeitou a interpretação de que a disputa eleitoral de 2026 seja marcada simplesmente pela polarização entre direita e esquerda. Para ela, o atual cenário apresenta uma diferença fundamental em relação às disputas políticas de décadas anteriores: a existência, segundo sua avaliação, de um grupo que não estaria comprometido com a democracia e com o Estado Democrático de Direito.

Marina afirmou que a atual disputa não pode ser comparada, por exemplo, à antiga polarização entre PT e PSDB. Na avaliação dela, apesar das divergências entre os dois partidos, havia o reconhecimento dos resultados eleitorais e o respeito às instituições. “Não tinha ninguém querendo voltar para o tempo da ditadura”, afirmou.

Segundo a candidata, o cenário atual envolve também questões relacionadas à soberania nacional. Marina afirmou que existe um grupo que “flerta com o autoritarismo e com o imperialismo” e classificou como uma “conspiração contra o Brasil” a articulação política que, segundo ela, contribuiu para a imposição de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A candidata relacionou o chamado tarifaço aos impactos econômicos sofridos por São Paulo. Segundo Marina, a medida prejudica setores como a indústria de calçados, agricultura, produção de álcool e autopeças. Em declarações recentes, ela estimou em cerca de US$ 4 bilhões o impacto do tarifaço sobre a economia paulista.

Para Marina, interesses políticos não podem se sobrepor aos interesses econômicos do país. Em entrevista recente, ela também atribuiu à família Bolsonaro a articulação em torno das tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou que, se eleita senadora, atuará para combater os efeitos da medida.

Crise no Supremo
A candidata também classificou como “grave” e “preocupante” a atual crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Marina afirmou que dois ministros estão em um processo de conflito e defendeu que a Presidência da Corte assuma a condução da situação para buscar uma solução institucional.

Na avaliação dela, o problema imediato precisa ser enfrentado paralelamente a uma discussão mais ampla sobre o funcionamento das instituições brasileiras. Marina defendeu uma reforma do Judiciário, mas ressaltou que também é necessária uma reforma política.

Ela criticou ainda o crescimento das emendas parlamentares impositivas e afirmou que cerca de R$ 60 bilhões deixam de estar sob controle direto do governo federal. Na visão da candidata, os recursos poderiam ser aplicados em áreas como saúde, educação, agricultura sustentável, ciência, tecnologia e inovação.

Marina afirmou que o sistema atual estaria permitindo que parlamentares utilizem recursos públicos para ampliar sua permanência no poder. Para ela, a reforma política precisa enfrentar esse problema e redefinir a relação entre Executivo e Legislativo.

Transparência
Ao abordar as investigações que envolvem políticos e instituições, Marina defendeu que não haja tratamento diferenciado entre os investigados. “Queremos transparência total”, afirmou. A candidata criticou o que considera a utilização política da crise institucional e questionou por que determinadas informações são tornadas públicas enquanto outras permanecem sob sigilo.

Marina também defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas independentemente de quem possa ser atingido pelas apurações. Segundo ela, a crise não pode ser instrumentalizada para produzir vantagens eleitorais. “Doa em quem doer, vai ser investigado”, afirmou, citando declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a candidata ao Senado, o desafio colocado para as instituições brasileiras é impedir que a disputa eleitoral transforme a crise institucional em instrumento de confronto político. Marina defende que democracia, soberania nacional, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito sejam preservados como princípios acima das disputas partidárias.

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