sábado, 20 julho 2024

Preço da gasolina dispara 44% em Americana e Santa Bárbara d’Oeste

Quem aguenta? Motorista pagava R$ 4,50 no litro no início do ano e valor chega a R$ 6,49; encher o tanque de um carro popular custa até R$ 330 nas duas cidades

COMBUSTÍVEIS | Posto na Av. São Jerônimo, em Americana, onde preço à vista era de R$ 6,29 na última quarta-feira (Foto: Rafael Rezende/ TodoDia Imagem)

As sucessivas subidas de preço do litro da gasolina anunciadas pela Petrobras a cada semana causam reflexos negativos ao dia-a-dia de motoristas de Americana e Santa Bárbara d’Oeste, cidades onde o combustível atingiu a casa dos R$ 6,49, segundo relatório mais recente publicado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) na última semana. Desde o início do ano, o preço da gasolina saltou 44% em ambas as cidades.

A recorrente elevação de preços coloca em xeque o futuro de profissões, como de motoristas de aplicativo.

Dos 15 postos pesquisados pelos técnicos da ANP em Americana, o litro menos “salgado” sai a R$ 5,99, na região do bairro Cariobinha. Já o litro mais caro, até a data da pesquisa (13), era comercializado a R$ 6,49 em postos da Cidade Jardim. A variação é de 8,3%.

Em Santa Bárbara, 14 estabelecimentos foram pesquisados. A diferença de preço é de 7,4%. O posto menos caro vende o litro a R$ 6,04, no Jardim Pérola, enquanto o comércio com o maior valor (R$ 6,49) fica no Centro, Distrito Industrial I e também no Jardim Pérola. As coletas de preços foram feitas pela ANP de 7 a 13 de novembro. Os maiores valores são praticados em postos com bandeira.

Para encher o tanque de um carro popular no lugar mais barato custa, atualmente, R$ 305. Completar o tanque de um carro popular no posto mais caro, sai a R$ 330. Diferença de R$ 25 por tanque cheio – em um mês, por exemplo, para aqueles que usam um tanque por semana, a economia é de R$ 100.

Considerando o valor praticado nas bombas no início do ano, que segundo postos consultados pela reportagem vendiam o litro a R$ 4,50, o tanque cheio custava R$ 229. Agora, varia de R$ 305 a R$ 330.

DIFICULDADE
O operador de máquina Felipe Santana das Neves, de 21 anos, alertou para o risco de deixar de usar o carro e sair a pé diante dos reajustes. “Não estou driblando esse aumento da gasolina, o aumento está vindo cada dia mais, eu não sei onde vai parar, não vai mais ter como andar de carro, vamos ter que ficar a pé”, contou ele, ao abastecer seu carro em um posto da Avenida São Jerônimo na última quarta-feira.

O economista José Guilherme Padovani de Oliveira, de 41 anos, entrou em uma rotina de poupar combustível. “Estou usando menos o carro e sendo mais econômico nas viagens”, disse.

O presidente do Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região), Flavio Campos, destacou que a gasolina já custa R$ 8 em algumas regiões do país, e explicou as variáveis do preço e a alta do etanol, cuja composição é de 27% na gasolina.

“Depende de fatores como o preço internacional do barril do petróleo e o valor do dólar para novos aumentos. Além disso, tem o preço do etanol que está muito caro mesmo na região produtiva e ele tem uma composição de 27% na gasolina e causa impacto nos preços”, analisou Campos, que tem expectativa de uma queda no valor do etanol.

Campos também enfatizou a demanda de usinas termelétricas e as importações da Petrobras para explicar os aumentos.

“Em outubro, a Petrobras já havia informado que não conseguiria produzir diesel e gasolina para as demandas de novembro e dezembro e que iria recorrer à importação, que custa mais caro e reflete nos preços. As usinas termelétricas usam gasolina e diesel e ocasiona aumento de demanda e de precificação. Agora, uma boa notícia é que o ICMS está congelado por 90 dias a partir deste mês e se houver uma nova alta nos preços não vai ter reflexo, o que já é positivo”, considerou.

COLABOROU RAFAEL REZENDE 

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