terça-feira, 8 setembro 2026

Região: federações partidárias dividem ‘caciques’ políticos

Novo mecanismo que os partidos podem adotar no pleito deste ano ainda causa dúvidas e divergências 

Divisão | Deputado Vanderlei Macris apoia federações (Foto: Divulgação)

Com a aproximação das eleições para presidente, governadores, deputados e senadores deste ano, aumenta-se o debate sobre uma regulamentação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) aprovada em dezembro do ano passado: a possibilidade de partidos criarem federações partidárias.

O inédito esquema de união de legendas é tão complexo que até nomes de peso da política regional se dividem quanto às qualidades e defeitos dessa novidade.

Agora, os partidos que integram uma federação mantêm sua autonomia, mas devem atuar unidos por um período de quatro anos, ou seja, não só apenas nas eleições. Essas federações devem ter estatuto, bancada e lideranças em conjunto. E a união deve acontecer nacionalmente, ou seja, definem juntas os candidatos que representarão a federação em nível municipal, estadual e federal. E é essa última obrigação que tem levado preocupação aos partidos.

“Pessoalmente, não me agrada a ideia da federação entre partidos. Creio que se trata de um instrumento que visa principalmente a disputa das eleições, mas que junta siglas com diferenças programáticas e de pensamento, por um período relativamente extenso. Ela foi aprovada recentemente e com pouco prazo para as próximas eleições. Com isso, ficou curto o tempo para a discussão e o melhor alinhamento de ideias e pensamentos”, argumenta o ex-prefeito de Santa Bárbara dOeste, Denis Andia (PV). Mas o chefe do executivo barbarense também enxerga alguns pontos positivos na mudança. “Por outro lado, é uma forma que permite aos partidos melhores condições de disputar as eleições e eleger seus candidatos, sobretudo os menores, na montagem de suas chapas de deputados estaduais e federais. O impacto na região é que talvez facilite a eleição de mais nomes com maior força e eleitorado local”.

Quem só enxerga o lado ruim das federações é o presidente do Cidadania em Americana, Luiz da Rodaben. “Acho que favorece quem já está no poder, com a máquina na mão. Acho que está tudo errado”, ataca.

De uma forma geral, partidos de esquerda têm se mostrado mais a favor das federações, mas até nisso não existe unanimidade. Vários membros do PSDB, por exemplo, já se mostraram a favor. Um deles é o deputado federal Vanderlei Macris, nome de peso no ninho tucano paulista. “As federações partidárias são válidas e bem positivas. A democracia fica comprometida com a quantidade de partidos que temos hoje. As federações trazem mais representatividade para a população”, exalta.

Quem preferiu não se manifestar sobre o caso, foi o prefeito de Americana, Chico Sardelli (PV). “Neste momento, meu foco está no município, ficando essa discussão para a presidência do partido”, desconversa.

Para o deputado estadual Dirceu Dalben (PL), de Sumaré, a decisão para compor uma federação deverá ser precedida de discussão cautelosa porque os partidos que a integrarão não poderão, após o pleito eleitoral, simplesmente desistirem da união, já que tais saídas podem gerar penalidades em futuras eleições.

“Por conta dessas peculiaridades e a gênese no pleito de 2022, penso que a federação poderá ser um instrumento da junção de partidos que se afeiçoem às mesmas ideologias e as lutas dos direitos dos seus eleitores”, pondera.

Os debates sobre as federações ocorrem em partidos como MDB, PSDB, Cidadania e União Brasil, além de PT, PCdoB, PSB e PV. 

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