O prefeito de Hortolândia, Zezé Gomes (Republicanos), afirmou nesta quinta-feira (30) que pode pedir o rompimento do contrato de concessão da Urae (Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário) Sudeste com a Sabesp, caso os problemas com a água tratada persistam ou voltem a se repetir.
Zezé cobrou esclarecimentos da concessionária sobre as causas exatas da alteração de cor, odor e sabor na água distribuída nas últimas duas semanas em Hortolândia. Segundo a Sabesp, a situação já teria sido normalizada.
“Muito diálogo com a Sabesp, conversamos com a Sabesp o tempo todo, reunião o tempo todo, falamos com a Urae, liguei no Governo do Estado, todas as medidas foram tomadas. Colocamos o Procon na rua, porque o Procon tem que olhar a qualidade dos produtos que estão sendo vendido. Tudo isso nós fizemos. Falamos com a Sabesp, e o que veio da Sabesp para nós é que eles colocaram o carvão ativado lá na captação do Rio Jaguari, para melhorar a água. E estamos cobrando a Sabesp. É a nossa ferramenta, cobrar. Estou cobrando o estado o tempo todo. E pode ter certeza, nós não vamos sair do pé da Sabesp, do governador, para que resolva isso o mais urgente possível”, declarou.
O prefeito também informou que solicitou reuniões com o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone Piani, e com o governador Tarcísio de Freitas para tratar do assunto.
“Eu exigi, na verdade, uma convocação com o presidente da Sabesp, Carlos Augusto Leone. Eu exigi que ele venha até aqui para prestar contas para a gente, porque a cidade de Hortolândia merece respeito. Todo dia eu dou prazo, a Sabesp tem que resolver o problema. Tem que trabalhar 24 horas para resolver. Se não conseguiu antecipar, antever, então agora vai ter que correr atrás, porque a população precisa de água de qualidade. Até porque nós temos várias empresas do ramo alimentício na cidade, e a gente precisa dar retorno para todos”, afirmou Zezé.

Problema poderia ter sido evitado
Para o prefeito, o problema poderia ter sido evitado ou minimizado com monitoramento contínuo da captação no Rio Jaguari, em Paulínia, que também abastece outras cidades da região. “Eu acredito que deveria ter evitado. Se a Cestesb tem na captação um trabalho o tempo todo, de ver a qualidade da captação, poderia ter identificado na hora e o estrago seria muito pequeno ou nenhum”, apontou.
Zezé também destacou o pedido do Procon Municipal para que a água distribuída no período afetado não seja cobrada dos consumidores, ou que o valor seja restituído. “O que o Procon pode exigir é o ressarcimento de qualquer produto que você venda que não tenha qualidade. É a devolução do dinheiro ou outro produto de qualidade de volta. Então nós queremos qualidade na nossa água”, cobrou.
Possibilidade de rompimento
O prefeito afirmou que poderá recorrer às instâncias responsáveis e até à Justiça para pedir o rompimento do contrato de concessão, caso o problema continue. “Como o nosso contrato, agora com a privatização da Sabesp, ele fica realmente fora das nossas mãos, no nosso alcance, mas a Justiça (a gente acredita muito na Justiça), se eles não resolverem o problema, nós vamos até na última instância para romper o contrato com a Sabesp sim, por que não?”, questionou.
Irritação com resposta da Sabesp
As declarações foram dadas durante coletiva de imprensa no Paço Municipal. Após o encerramento, o prefeito retornou à sala irritado após a chegada de um ofício da concessionária informando que o pedido de isenção ou redução das tarifas do período afetado será analisado caso a caso, mediante solicitações individuais.
“Acabamos de receber que a Sabesp falou que a redução da taxa ou a isenção da cobrança da água vai ser analisada caso a caso. Então quer dizer que tem alguns na cidade que merecem receber água podre, e outros não. Gente, para com isso. Isso é falta de respeito com a cidade de Hortolândia, é falta de respeito com o povo dessa cidade. Olha, eu até agora tratei essa Sabesp com muito respeito, cobrei dentro da lei e tudo, mas é inadmissível uma resposta dessa”, bradou Zezé Gomes.
O prefeito e o vice salientaram, no entanto, que os consumidores devem pagar suas contas normalmente até uma eventual decisão sobre ressarcimento. “Sim, até porque eu estou pedindo (o ressarcimento), mas eu não posso determinar. Até porque nós precisamos ainda conversar com o presidente da Sabesp, ele já sabe disso, porque eu também já documentei isso via decreto. Eu quero dizer que (o ressarcimento) é o mínimo que você tem que fazer com as pessoas. Quando você vende um produto que não tem qualidade, devolve o dinheiro”, completou.
Outro lado
Em nota, a Sabesp informou à TV TODODIA que o caso é tratado como prioridade desde os primeiros relatos dos moradores e que montou uma força-tarefa com atendimento presencial nos bairros, equipes de laboratório e lideranças técnicas atuando 24 horas no monitoramento da água tratada.
A empresa reafirmou que a água fornecida em Hortolândia, Paulínia e Monte Mor está dentro dos parâmetros de qualidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde e disse que o monitoramento é feito em tempo real nas três cidades.
A concessionária também orientou que os consumidores utilizem seus canais oficiais para informar qualquer problema com a água tratada que chega aos cavaletes e ligações, para que equipes sejam enviadas aos locais. A Sabesp não se manifestou sobre a possibilidade de ressarcimento ou desconto nas tarifas referentes ao período afetado.

Hipótese investigada
A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) informou ter realizado vistoria no ponto de captação no Rio Jaguari, na tarde de quarta-feira (29). Segundo a agência, não foram encontradas alterações significativas na qualidade da água do rio nem sinais de lançamentos clandestinos de poluentes.
A principal hipótese analisada, segundo a Cetesb, é a ocorrência de um fenômeno associado à proliferação de microalgas no trecho final do Rio Jaguari, favorecido por condições de estiagem. De acordo com a agência, isso pode provocar alteração de odor e sabor na água após o tratamento e a distribuição para abastecimento público, mas a hipótese ainda não está confirmada e segue sob investigação.





