terça-feira, 21 abril 2026
CIESP CAMPINAS

Indústria da região de Campinas registra queda na produção e recuo no comércio exterior

Levantamento do Ciesp-Campinas aponta estabilidade em indicadores industriais e redução nas importações e corrente de comércio
Por
Guilherme Pierangeli
Industria da região de Campinas adota cautela, segundo o Ciesp. Foto: Adriano Rosa/PMC

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) – Regional Campinas divulgou os resultados da Pesquisa de Sondagem Industrial e do Panorama Regional de Comércio Exterior, que indicam desaceleração na atividade industrial e retração nos fluxos comerciais da região.

Os dados da sondagem mostram que, em março de 2026, nenhuma empresa associada registrou aumento no volume de produção em relação ao mês anterior. Do total, 33% relataram queda e 67% indicaram estabilidade.

O desempenho das vendas seguiu o mesmo comportamento, com 33% das empresas apontando redução no faturamento e 67% mantendo os níveis estáveis, sem registros de crescimento no período.

No mercado de trabalho, 25% das indústrias reduziram o número de funcionários, enquanto 75% mantiveram o quadro inalterado.

“A sondagem mostrou que tivemos zero de aumento tanto no volume de produção quanto no valor de vendas. Isso não acontecia há muito tempo e indica que estamos vivendo um momento preocupante. A economia vem apresentando sinais que impactam diretamente a atividade industrial e refletem no desempenho das empresas”, afirma José Henrique Toledo Corrêa, diretor do Ciesp Campinas.

Indicadores financeiros e operacionais
A sondagem também aponta estabilidade no nível de endividamento para 59% das empresas. Outros 33% indicaram redução, seja por estratégia de diminuição de risco ou melhora no faturamento, enquanto 8% relataram aumento.

A utilização da capacidade instalada concentrou-se principalmente na faixa entre 70,1% e 80%, que reuniu 42% das indústrias. Já 25% operaram entre 0% e 50%, enquanto outros 25% ficaram entre 50,1% e 70%.

Os custos de produção apresentaram comportamento misto. Nos custos trabalhistas, 61% permaneceram inalterados e 28% registraram aumento. Já os custos com matérias-primas ficaram divididos entre estabilidade (44%), aumento (28%) e redução (28%). Custos com energia, água e transporte aumentaram para 46% das empresas e permaneceram estáveis para 54%.

A lucratividade foi considerada inferior por 42% das empresas, enquanto outros 42% apontaram estabilidade e 16% registraram aumento.

Investimentos e crédito
Em relação aos investimentos, 42% das empresas informaram que não pretendem investir nos próximos 12 meses. Outras 50% indicaram intenção de atualizar o maquinário existente, enquanto 8% planejam ampliar a capacidade produtiva.

A necessidade de crédito mais acessível foi apontada como fator relevante para o setor. Segundo a pesquisa, 83% das empresas consideram fundamental a ampliação da oferta de crédito com juros mais baixos.

Balança comercial da região
Os dados do Panorama Regional de Comércio Exterior mostram que, em fevereiro de 2026, as exportações da região somaram cerca de US$ 291 milhões, crescimento de 2,15% em relação ao mesmo mês de 2025.

No acumulado do ano, as exportações atingiram US$ 543 milhões, com leve recuo de 0,31% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 883 milhões em fevereiro, queda de 16,98%, enquanto o acumulado chegou a US$ 1,7 bilhão, redução de 14,18%.

O déficit comercial mensal foi de US$ 586 milhões, valor 24,18% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado, o déficit atingiu US$ 1,2 bilhão, com redução de 19,13%.

A corrente de comércio exterior da região somou US$ 1,1 bilhão no mês, recuo de 12,87%. No acumulado do ano, o total chegou a US$ 2,3 bilhões, queda de 11,30%.

“No acumulado de janeiro a fevereiro, a regional registrou 543 milhões de dólares em exportações e 1,7 bilhão em importações, mantendo um perfil deficitário. Apesar de uma leve estabilidade nas exportações, tivemos uma queda significativa nas importações, o que acabou reduzindo o déficit comercial e a corrente de comércio”, destaca Anselmo Riso, diretor de Comércio Exterior do Ciesp Campinas.

Desempenho por municípios e mercados
Entre os municípios da regional, Campinas liderou as exportações com 30,37%, seguida por Paulínia (21,25%) e Sumaré (12,95%). Já nas importações, Paulínia (31,44%) e Campinas (30,87%) concentraram os maiores volumes.

Os principais destinos das exportações foram Estados Unidos, Argentina e Países Baixos. Já as importações tiveram como principais origens China, Estados Unidos e Coreia do Sul.

Perfil das empresas
O Ciesp-Campinas reúne 590 empresas distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das associadas é de R$ 53 bilhões anuais, com geração de 97.954 empregos.

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