sábado, 8 agosto 2026
CONTAS PÚBLICAS

Relatório do TCU aponta 16 obras com recursos federais paralisadas na região

Relatório cita problemas na execução de políticas públicas e em empreendimentos financiados com recursos federais em oito municípios da RMC
Por
Emilly Ferreira

As contas do governo federal referentes a 2025 foram aprovadas com ressalvas pelo TCU (Tribunal de Contas da União). O relatório aponta pontos de atenção na execução de políticas públicas, no cumprimento de metas previstas no planejamento federal e no andamento de obras financiadas com recursos da União.

A análise considerou a execução orçamentária, a entrega de obras e serviços, a gestão fiscal, os resultados das ações governamentais e as demonstrações contábeis da União. Segundo o tribunal, os apontamentos não comprometem a confiabilidade geral das contas, mas indicam áreas que podem passar por aprimoramentos na gestão pública.

Campinas, Americana, Limeira, Hortolândia, Sumaré, Cosmópolis, Paulínia e Nova Odessa somam 16 obras nas áreas de Educação, Saúde, Esporte e Saneamento. Foto: Ana Machado/TV TODODIA

Entre os pontos avaliados está a inclusão de novos projetos no orçamento antes da conclusão de empreendimentos já em andamento. O TCU também analisou o desempenho de programas como Saúde e Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Região soma 16 obras paralisadas
No levantamento de Obras Paralisadas do TCU, oito municípios da região aparecem com empreendimentos financiados por recursos federais que estão com a execução interrompida. Campinas, Americana, Limeira, Hortolândia, Sumaré, Cosmópolis, Paulínia e Nova Odessa somam 16 obras nas áreas de Educação, Saúde, Esporte e Saneamento.

Limeira concentra o maior número de projetos, com quatro obras vinculadas ao programa Requalifica UBS, voltado à área da Saúde. Segundo os dados do tribunal, os investimentos somam aproximadamente R$ 157,6 mil.

Campinas e Hortolândia aparecem na sequência, com três obras cada. Em Hortolândia, os empreendimentos envolvem Saneamento, no bairro Jardim Boa Esperança, Saúde, com a reforma de uma unidade de atenção especializada, e melhorias em espaço esportivo. Os investimentos chegam a cerca de R$ 15,5 milhões.

Em Campinas, as obras interrompidas estão relacionadas ao setor de Esporte, com aproximadamente R$ 5,2 milhões em recursos envolvidos.

Americana aparece no levantamento com duas obras paralisadas nos bairros Praia Azul e Praia dos Namorados, ambas voltadas à Educação Básica. Os empreendimentos somam cerca de R$ 1,7 milhão em recursos investidos.

Sumaré e Nova Odessa registram uma obra interrompida cada. Os projetos são da área da Saúde, também ligados ao programa Requalifica UBS, com investimentos de aproximadamente R$ 102,4 mil.

Cosmópolis e Paulínia também possuem um empreendimento parado cada, ambos relacionados à Educação Básica. Os valores investidos são de aproximadamente R$ 646 mil e R$ 647,9 mil.

Prefeituras contestam dados
O TCU considera como paralisadas as obras que tiveram a execução interrompida. A classificação não indica, por si só, que o empreendimento foi abandonado, mas aponta a necessidade de acompanhamento para definir os próximos passos.

Santa Bárbara d’Oeste e Piracicaba não aparecem no painel do tribunal com obras financiadas por recursos federais classificadas como paralisadas.

A prefeitura de Campinas afirmou que a informação não procede e que as obras estão em andamento. Limeira disse não ter acesso às informações por não ser o órgão responsável pela gestão e fiscalização dos empreendimentos.

A Prefeitura de Hortolândia, por meio da Secretaria de Obras, informou que as obras apontadas pelo TCU como paralisadas estão em andamento ou concluídas, faltando apenas a compatibilização de cronogramas para que não constem como atrasadas.

A Prefeitura de Paulínia afirmou que o apontamento do Tribunal de Contas da União se refere à construção da Escola Municipal Atílio Bardin, mas que o relatório não está atualizado. Segundo a gestão, a obra foi concluída e atende 125 alunos, do berçário à etapa 2. O corpo jurídico do município informou que está em tratativas com a União para concluir a atualização do processo.

As prefeituras das outras cidades citadas também foram procuradas para comentar a situação dos empreendimentos e não houve retorno até a publicação da reportagem.

Cenário econômico
Além do acompanhamento das políticas públicas, o relatório do TCU apresentou um panorama da economia brasileira em 2025. Segundo o documento, o país registrou crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a inflação ficou em 4,26%.

A taxa básica de juros, a Selic, permaneceu em 15% durante boa parte do ano, cenário que influenciou os custos de financiamento e as despesas públicas.

O tribunal também apontou aumento da pressão sobre as contas públicas, com déficit previdenciário de R$ 440,6 bilhões, crescimento da dívida pública e despesas com juros superiores a R$ 1 trilhão. O relatório ainda registrou que a carga tributária atingiu o maior nível do período.

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