domingo, 6 setembro 2026

Sobem homicídios dolosos no trânsito em 2022 na região

Motociclistas e pedestres são as maiores vítimas em cinco cidades da região, apontam dados do Infosiga  

De acordo com dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo), as cidades de Americana, Sumaré, Santa Barbara d’Oeste, Nova Odessa e Hortolândia tiveram aumento de 27,5% dos casos de mortes no trânsito classificados como homicídios dolosos, de janeiro a setembro deste ano em relação ao mesmo período de 2021.

Os dados revelam que entre os dias 1º de janeiro e 30 de setembro de 2021 foram contabilizados 29 acidentes fatais, enquanto em 2022, nos meses correspondentes, o número subiu para 37.

Ao analisar individualmente as cidades, a única que obteve queda foi Sumaré. Em 2021, nos primeiros nove meses foram 11 mortes, principalmente envolvendo motocicletas, e em 2022, até o fim de agosto, foram sete fatalidades registradas.

Americana e Santa Bárbara d’Oeste tiveram 11 mortes neste ano. Nos mesmos nove meses do ano passado, o número era de nove para Americana e cinco para Santa Bárbara. Em Nova Odessa, foram dois casos em 2022 contra apenas um no ano anterior e em Hortolândia foram cinco este ano, contra três no ano passado.

Junho está entre os meses mais violentos nos dois anos analisados. Somados os acidentes em todas as cidades, o mês marca seis mortes em 2021 e cinco em 2022.

Ainda segundo o Infosiga, acidentes envolvendo motociclistas e pedestres são os mais recorrentes. No total anual, em 2021 foram 29 incidentes com motos e 13 com pedestres. Até agosto deste ano, 19 condutores de motos e sete pedestres já perderam a vida.

Para o professor e pesquisador Leandro Schenk, vários fatores podem culminar nesses acidentes e a falta de projetos que melhoram a mobilidade urbana também contribui para o aumento de casos.

“No Brasil, acabamos restringindo muito as opções de transporte, isso acaba fazendo com que as vias sejam pra ticamente um palco de guerra, enquanto poderíamos ter uma diversidade maior de opções como metrôs, ciclofaixas, calçadas com melhores condições de caminhada, entre outras”, argumenta o professor.

Leandro acredita também que o menor tempo de pessoas no trânsito traria benefícios para o cidadão e poderia amenizar o número de acidentes. “Outro projeto importante seria um planejamento urbano de maneira mais ampla, que é fazer com que nossas cidades não sejam tão radiocêntricas, ou seja, que a pessoa possa resolver suas necessidades mais próximas de suas residências. Existe também a transgressão do ser humano que aumenta significativamente o risco, seja ela por imprudência ou por acreditar que é possível realizar tal manobra, levando a casos muito graves como até a morte de si e de terceiros”, pontua.

O advogado criminalista Renan Farrah explica que a diferença entre homicídio culposo e homicídio doloso envolve uma compreensão do tribunal do júri. “A interpretação tem sido de que a pessoa por determinadas questões assumiu o risco do evento danoso. Com isso, temos duas diferenças tênues que é o dolo eventual e a culpa consciente”, disse. A pena para casos julgados como homicídio doloso varia entre seis e 30 anos, podendo ser maior caso acumule outros crimes como, por exemplo, omissão de socorro, ocultação de cadáver, entre outros.

ESPECIALISTA | Advogado criminalista Renan Farrah explicou homicídio doloso (Foto: Reprodução)

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