
Mãe de um aluno de 10 anos com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), Josiele Pinheiro denunciou nesta semana que o menino teria sido agredido com socos, chutes e tapas por cinco colegas dentro da EM (Escola Municipal) Anália de Oliveira Nascimento, no Jardim Bom Retiro, na Área Cura, em Sumaré. Por causa do transtorno neurobiológico, a criança faz acompanhamento no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) Infantil da cidade.
As agressões teriam acontecido na última terça-feira (25). Entre os envolvidos, estaria outro aluno que, segundo a família, havia ameaçado o menino recentemente ao dizer que levaria uma faca para a escola para machucá-lo.
A direção da unidade não teria comunicado a família sobre o caso. A mãe só percebeu que o filho estava machucado ao buscá-lo na escola, por volta das 11h.
Menino tinha rosto vermelho e sentia dores
Segundo Josiele, ela encontrou o filho “com o rosto todo avermelhado e praticamente desfalecido”. Além disso, ele chorava de dor no peito, nas pernas, nas costas e na cabeça, após os golpes recebidos.
De acordo com o relato do menino, as agressões teriam ocorrido durante a aula de Educação Física, por causa de uma discussão sobre uma bola. A mãe afirma ainda que o professor não teria agido para conter os agressores, o que é negado pelo Município (veja abaixo).
Ela levou o filho imediatamente para atendimento médico emergencial na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) 24h do Jardim Denadai.
O laudo médico emitido pela equipe da unidade confirmou os traumas físicos sofridos pela criança e informou que ele estava com o estado emocional abalado. Por isso, ficou afastado das aulas nos dias seguintes.
Polícia Civil investiga a ocorrência
Em seguida, a família registrou o caso na Polícia Civil, no 5º Distrito Policial, que também fica no Jardim Denadai, e procurou o Conselho Tutelar de Sumaré, na Região Central, para acompanhar a situação.
A reportagem da TV TODODIA conversou com a mãe do aluno. “Fui pegar ele às 11 horas, cheguei lá, ele estava todo machucado, com o rosto todo vermelho, ele estava praticamente desfalecendo no meu colo. Eu cheguei preocupada, falei, [menino], o que aconteceu? Ele falou para mim, ‘mãe, me bateram’. Eu falei, como te bateram? ‘Cinco crianças me bateram.’ Aí eu tinha perguntado, por que te bateram, [menino]? Por causa de uma bola. Peguei ele, ele estava chorando, com muita dor, dor no peito, dor nas costas, na cabeça, batendo muito na cabeça dele. Saí de lá, fui para a UPA, e de lá da UPA eles me aconselharam também a ir fazer um boletim de ocorrência. Fiz o boletim de ocorrência, está tudo aqui. Fui fazer o boletim de ocorrência, fui no Conselho Tutelar”, afirmou.
Socos na barriga causam preocupação na família
Segundo a mãe, o aluno também foi agredido no abdômen, o que preocupa a família porque a criança tem um dos rins com funções comprometidas.
“E desde o começo do ano eu estou tendo problemas ali nessa escola, porque o [menino], ele faz tratamento, ele tem TDAH, ele é laudado com TDAH, o Déficit de Atenção e Hiperatividade, ele toma medicamento, tudo certinho, só que, e a escola sabe desses relatos, né? Só que eles não me ajudam, praticamente, porque praticamente todo dia, toda semana, tem algum acontecimento lá, eles me ligam, eu estou lá, eu falo, ó, ele está medicado, eu estou correndo atrás. O Caps fala que é o TDAH, só que tem mais coisas aí envolvendo, né? E na semana passada houve um outro ocorrido, que eles entraram numa briga com as crianças lá, uma criança ameaçou que ia trazer uma faca para enfiar nele, ele ficou com medo, não queria voltar para a escola, só que eu falei, como é que eu não vou deixar? Porque quando eu falei que eu ia tirar da escola, o conselho tutelar falou que eu não podia fazer isso, porque é direito da criança, né? Eu entendo, só que a gente como mãe fica preocupada, uma criança está lá sem a nossa supervisão e ninguém dá um respaldo para a gente, né? E eu estou pedindo ajuda, porque eu não sei o que fazer mais. Eu já fui duas vezes no Conselho Tutelar para ver o que eles falam, eles falam que vão entrar em contato com o Caps, que o Caps vai entrar em contato com a escola, para ver o que vai ser feito, né? E não estão me dando nenhuma ajuda”, completou Josiele Pinheiro.
Outro lado: Secretaria de Educação se manifesta
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Sumaré informou ter agido imediatamente após tomar conhecimento da ocorrência envolvendo um conflito entre alunos da EM Anália de Oliveira Nascimento.
Segundo a pasta, “a situação foi prontamente contida e mediada por um professor da unidade escolar, que interveio no momento da ocorrência”.
Na sequência, a equipe gestora, o Núcleo Pedagógico e a supervisão escolar foram acionados e passaram a acompanhar o caso, adotando as providências necessárias para a resolução do conflito “com agilidade, seriedade e responsabilidade”.
Pasta apura o ocorrido na escola municipal
A Secretaria também determinou o acompanhamento da situação junto à escola e aos responsáveis pelos alunos envolvidos, reforçando as orientações sobre convivência, respeito e segurança no ambiente escolar.
A Secretaria Municipal de Educação reforçou, por fim, que “não compactua com qualquer situação de conflito ou violência no ambiente escolar e que ocorrências dessa natureza são tratadas de forma imediata, com atuação das equipes responsáveis e prioridade absoluta à segurança, ao bem-estar e à integridade dos estudantes”.





