sexta-feira, 28 agosto 2026
PROGRAMA VIGIFRONTEIRAS

Dois são presos em Sumaré por fraudar produção de alimentos para pássaros ornamentais

Ação conjunta do Ministério da Agricultura e da Polícia Civil cumpriu mandados em quatro endereços e terminou com duas prisões em flagrante
Por
Vagner Salustiano
Grande quantidade de produtos foram apreendidos na fábrica e em mais três endereços em Sumaré. Fotos: Mapa

Duas pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil em Sumaré por fraudar a produção de alimentos para pássaros ornamentais em uma fábrica. O endereço do estabelecimento não foi informado. As prisões ocorreram na quarta-feira (26), durante uma operação conjunta do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) e da Polícia Civil, por meio do Vigifronteiras (Programa de Vigilância em Defesa Agropecuária para Fronteiras Internacionais).

A ação, coordenada pela Polícia Civil de São Paulo, cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro endereços ligados à investigação no município. Durante a operação, as equipes constataram que a empresa de Sumaré adulterava a linha de produção. Insumos agropecuários, como o fipronil, eram inseridos clandestinamente na composição dos alimentos para aves.

Pulverização de inseticida é proibida no Brasil
O fipronil é um inseticida químico de largo espectro, alta toxidade e ação lenta, que ataca o sistema nervoso central de insetos como cupins, formigas, baratas e carrapatos. Era usado normalmente no controle de pragas de solo em lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar.

No entanto, sua pulverização em lavouras está suspensa no Brasil pelo Ibama, para proteger abelhas e outros insetos polinizadores. Por isso, atualmente, ele só pode ser usado no solo ou na preparação de sementes.

Produtos tinham falsa indicação “terapêutica”
Os produtos eram envasados e vendidos de forma ilegal, com suposta indicação de finalidade terapêutica e antiparasitária para os pássaros. Também foram identificados dois endereços residenciais ligados à investigação, onde ocorria o fracionamento e a manipulação de insumos farmacêuticos ativos.

Na fábrica, os agentes encontraram frascos de insumos agrícolas dentro de um veículo de passeio pertencente a um funcionário do estabelecimento. Durante as diligências realizadas na fábrica, duas pessoas foram presas em flagrante pelas irregularidades identificadas. Todo o material irregular foi apreendido, e também foram coletadas amostras para análise laboratorial e demais procedimentos previstos na legislação.

Segundo o Ministério, a ação de quarta-feira fez parte da Operação Ronda Agro, que atua de forma contínua no combate ao comércio de produtos e insumos agropecuários ilícitos.

A operação contou ainda com a participação do Ciispa (Centro Integrado de Inteligência, Segurança Pública e Proteção Ambiental), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e do LFDA-SP (Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em São Paulo).

Equipamentos usados na produção da alimentação fora da especificação. No destaque, o fipronil apreendido. Fotos: Mapa

Monitoramento do comércio eletrônico
Paralelamente à ação presencial, foi realizada a Operação Ronda Agro Ciber IV, no âmbito do Monitora (Programa de Monitoramento do Trânsito e Comércio Irregular de Produtos Agropecuários).

A operação teve como objetivo identificar e pedir a remoção de anúncios relacionados aos produtos investigados que estavam disponíveis em plataformas de comércio eletrônico. Ao todo, mais de 500 links ligados aos produtos objeto da ação foram removidos.

Riscos e segurança de alimentos adulterados
Segundo nota do Ministério, a adulteração de alimentos para animais com substâncias não prescritas e sem dosagem controlada representa um grave risco sanitário, podendo causar intoxicação grave, desenvolvimento de resistências e até a morte das aves.

Além disso, o comércio de insumos agropecuários falsificados ou irregulares configura infração sanitária grave e crime.

As operações especiais de fiscalização e combate a atividades ilegais têm como principal objetivo resguardar os ativos agropecuários do país, proteger a saúde pública e animal e evitar a concorrência desleal no comércio de insumos, finalizou o Mapa.

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