A Prefeitura de Sumaré iniciará na próxima semana a retirada de milhares de exemplares de murta, conhecida popularmente como “dama da noite”, de áreas públicas da cidade. A medida será executada pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade para atender a uma determinação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com o objetivo de prevenir a disseminação do greening, doença que afeta plantações de citros, como laranja, limão e tangerina. A ação ocorrerá em praticamente todas as regiões do município, incluindo áreas próximas ao Cemitério da Saudade e ao Velório Municipal.
A iniciativa dá continuidade ao programa ambiental iniciado em 2025 para a erradicação da leucena, espécie invasora substituída por árvores nativas. A reportagem sobre essa ação pode ser acessada em programa de supressão e substituição da leucena.
Estado determinou a substituição
A notificação foi emitida pelo Departamento Regional de Campinas da Defesa Agropecuária e determina que a Prefeitura realize o levantamento das plantas existentes, promova a retirada dos exemplares identificados e substitua, sempre que possível, por espécies que não sejam hospedeiras da doença.
O prazo estabelecido pelo Governo do Estado para a execução das medidas é de seis meses.

Secretário explica medida
O secretário municipal de Sustentabilidade, Juninho Batista, afirmou que a retirada das plantas ocorre para atender à determinação estadual. “A ordem veio da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Nós temos até seis meses para estar erradicando a murta, mais conhecida como ‘dama da noite’. Ela tem um hospedeiro que causa a doença nas laranjas, pé de limão, toda a parte cítrica. Então, temos que fazer esse trabalho. As pessoas têm que entender que é algo que precisa, não é porque a gente quer tirar elas. Vamos tirar elas e vamos plantar outras árvores nativas no lugar”, explicou.
O secretário destacou ainda a importância da citricultura para a economia paulista. “O greening causa a doença nos pés de laranja. E hoje o Estado de São Paulo é o maior produtor de suco de laranja do mundo. Então, eu acho que seria muito importante para o poder financeiro do Estado a gente fazer essa erradicação aqui na cidade de Sumaré. E acredito que outras cidades vão ter que aderir a isso também, que é uma lei do Estado de São Paulo, não é nós de Sumaré. Vai ser todo o Estado de São Paulo que vai estar fazendo isso”, afirmou.
Juninho Batista também garantiu que as árvores retiradas serão substituídas. “Com certeza. Onde a gente tirar uma murta, a gente vai plantar uma árvore nativa no lugar.”
Remoção terá acompanhamento técnico
Os trabalhos serão executados pela Secretaria Municipal de Sustentabilidade com acompanhamento de biólogos, responsáveis pela identificação das plantas, orientação da remoção e definição das espécies que serão plantadas em substituição, preservando a arborização urbana.
A medida busca impedir a propagação do Huanglongbing (HLB), conhecido como greening, considerada atualmente a doença mais severa da citricultura mundial.

Murta favorece disseminação do greening
A murta (Murraya paniculata) é amplamente utilizada na arborização urbana e em jardins ornamentais por causa das flores brancas perfumadas e da folhagem densa. Apesar de não ser uma planta cítrica, ela serve de abrigo para o psilídeo (Diaphorina citri), inseto responsável por transmitir a bactéria causadora do greening.
Mesmo quando não apresenta sintomas, a murta pode favorecer a reprodução do inseto transmissor e aumentar o risco de contaminação de pomares de laranja, limão, tangerina e outras espécies cítricas. A doença provoca enfraquecimento das plantas, deformação dos frutos, redução da produção e pode levar à morte das árvores, causando prejuízos à citricultura.
Além da retirada das plantas, a Secretaria de Sustentabilidade orienta a população a colaborar com as ações de prevenção ao greening, destacando que a iniciativa atende a uma determinação do Governo do Estado voltada à defesa sanitária vegetal e à proteção da produção agrícola.





