terça-feira, 26 maio 2026
TRATAMENTO DE ESCARAS

Tetraplégica e acamada, mulher de Sumaré está há um ano sem receber insumos para tratamento, segundo a família

Jéssica Carvalho afirma que a família está há mais de um ano sem receber materiais básicos para cuidar de Solange Elias, que vive no Jardim Calegari
Por
Vagner Salustiano
Solange Elias (à esquerda) com a filha Jéssica Carvalho: cuidados constantes. Foto: Acervo Familiar

Moradora de Sumaré, a vendedora Jéssica Carvalho, de 31 anos, publicou na segunda-feira (26) um vídeo nas redes sociais para pedir que a mãe, Solange Elias, de 48 anos, volte a receber do poder público os insumos necessários para o tratamento das escaras causadas por sua condição. A postagem recebeu dezenas de comentários de apoio à família.

Acamada, tetraplégica há cinco anos após um grave acidente de trânsito e mãe de sete filhos, Solange mora de aluguel no Jardim Calegari, na Área Cura. Segundo Jéssica, a família está há mais de um ano sem receber os materiais usados no tratamento da mãe, que agora enfrenta infecção em uma das feridas.

Entregas suspensas
De acordo com a filha, os insumos eram fornecidos pelo SAD (Serviço de Atendimento Domiciliar), da Secretaria Municipal de Saúde de Sumaré, mas deixaram de ser entregues de forma contínua desde meados de 2025. “A minha mãe, ela é tetraplégica, ela é acamada e ela depende totalmente de cuidados diários. E por conta dessa condição da minha mãe, ela ocasionou algumas escaras, algumas úlceras por pressão – que é o nome mais técnico, que são aquelas feridas que dão pelo tempo que a pessoa fica sentada ou deitada. Inclusive, há um pouco mais de um ano atrás, a minha mãe ficou internada com uma infecção muito grave. Ela ficou 30 dias no hospital, eu fiquei os 30 dias junto com ela. O que acontece hoje é que minha mãe está novamente com uma infecção em uma das escaras, inclusive teve uma escara nova depois desse episódio”, afirmou Jéssica.

Segundo a vendedora, a família passou a comprar por conta própria itens básicos como gazes, soro, luvas, micropore e safigel. Somente no último fim de semana, ela disse ter gasto R$ 954,00 para manter o tratamento de Solange. “E por que, Jéssica? Por que não tem o básico aqui em Sumaré. A prefeitura não está fornecendo o básico, que são gases, soro, luva, micropore, safigel, que é o básico para a minha mãe, para a gente conseguir cuidar dessas feridas da minha mãe no dia a dia. Então minha mãe está novamente com uma infecção porque, desde que mudou a gestão de Sumaré, a minha mãe não recebe mais esses materiais básicos, que é obrigação da prefeitura assim fazer”, acrescentou.

Busca por solução
Jéssica contou ainda que já procurou gestores da Rede Municipal de Saúde, mas a situação não foi resolvida. “Então ontem eu tive que tirar do meu bolso, não me importo, porque é minha mãe, eu faria mil vezes. Mas gente, é obrigação da prefeitura fazer isso. Antes estava funcionando legal, apesar de faltar um item ou outro, as coisas aconteciam. E desde então não está acontecendo mais. Eu já fui atrás, eu falei com o secretário de Saúde anterior. Descobri que agora é um outro secretário, entrei em contato, ele me informou que eles haviam assinado as licitações, que ia voltar o fornecimento tudo normal, isso já tem quase três semanas. Mas enfim, até agora, nada”, apontou.

No desabafo, Jéssica Carvalho afirmou que as feridas da mãe têm vazamento e cheiro forte por causa da infecção, e reforçou o pedido por uma solução definitiva da Prefeitura de Sumaré. “Às feridas elas (as feridas) vazam muito. Elas têm um cheiro muito forte com essa infecção. E não tinha o básico o básico para poder realizar as limpezas dessas feridas da minha mãe. Então fui lá, comprei tudo, só que eu não vou ficar mais calada, eu vou vir aqui eu vou falar, vou pedir ajuda. Quem puder ajudar, eu agradeço, porque eu não tenho condição de fazer isso sozinha, as coisas são muito caras. E é uma obrigação, é o mínimo que eles podem fazer. Eu acredito que quem é da área da saúde aqui de Sumaré vai poder falar e afirmar muitas coisas que estão acontecendo. A cidade está bonita, a cidade está melhorando, as luzes estão piscando no Natal, mas eu não desejo que vocês dependam da Saúde de Sumaré. As coisas não estão fáceis”, completou.

Posição da Prefeitura
A Prefeitura de Sumaré ainda não se manifestou sobre a situação. O espaço segue aberto.

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