sexta-feira, 3 julho 2026
“CPI DA MERENDA”

Câmara Municipal de Sumaré aprova CPI para investigar contratos da Merenda Escolar da Prefeitura

Comissão terá 150 dias para apurar possíveis irregularidades em licitação, contratação emergencial e execução do serviço de alimentação escolar em 2024
Por
Vagner Salustiano
Requerimento assinado por vinte dos 21 vereadores foi aprovado na quinta-feira. Foto: Câmara Municipal de Sumaré

Os vereadores de Sumaré aprovaram, durante a sessão de quinta-feira (2), a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara Municipal para investigar possíveis irregularidades na contratação de uma empresa responsável pelo fornecimento de merenda escolar à rede municipal de ensino, em 2024, durante a gestão do ex-prefeito Luiz Alfredo Dalben (PSD).

A aprovação ocorreu sem surpresas, já que o requerimento para a criação da CPI havia sido assinado e protocolado por 20 dos 21 vereadores de Sumaré na semana anterior. A única exceção foi o presidente da Câmara, Hélio Silva (Cidadania), que, por força do Regimento Interno, não assinou o documento.

O principal autor do pedido de investigação é o vereador Raí do Paraíso (Republicanos), irmão do prefeito Henrique do Paraíso (Republicanos). O próprio Raí vai presidir os trabalhos da Comissão de Inquérito, com o vereador João Maioral (PDT) como relator e Wellington Souza (PT) como secretário.

Também integram a CPI os vereadores Lucas Agostinho (União Brasil) e Joel Cardoso (PSD). O prazo para conclusão dos trabalhos é de até 150 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período.

O autor do pedido de investigação e presidente da CPI já convocou os demais colegas para iniciar os trabalhos na próxima segunda-feira (06).

Contratação emergencial no foco
A “CPI da Merenda” vai investigar as circunstâncias que levaram à revogação do pregão eletrônico para fornecimento da merenda escolar e à posterior contratação emergencial da empresa Omega Alimentação e Serviços Especializados S/A, responsável pelo serviço em 2024.

Também serão apurados a legalidade da contratação emergencial por dispensa de licitação, os critérios utilizados para a escolha da empresa contratada e a regularidade econômica e financeira dos contratos.

A CPI vai investigar ainda a própria execução dos serviços e a qualidade e adequação nutricional da merenda escolar, além de “possíveis vínculos societários, econômicos ou negociais entre agentes públicos e as empresas contratadas, bem como eventuais movimentações patrimoniais relacionadas aos fatos investigados”.

Para os autores do requerimento, informações e indícios já tornados públicos sobre o caso “podem revelar afronta aos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência que regem a Administração Pública”.

Transferência de terrenos sob suspeita
Entre tais informações, estariam “operações patrimoniais e negociais realizadas por pessoas físicas ou jurídicas relacionadas aos contratos sob investigação, inclusive transferências de bens imóveis que, em tese, possam guardar conexão com os fatos apurados”.

Com a CPI, os parlamentares querem saber o que levou à revogação do pregão eletrônico para fornecimento da alimentação escolar, se a situação de emergência que levou à contratação direta da Omega se justificava e como a fornecedora emergencial foi escolhida.

Querem saber também se os preços estavam de acordo com o mercado, se o contrato foi cumprido e se a qualidade dos alimentos atendia às normas, bem como apurar eventuais vínculos entre empresários e agentes públicos e a transferência de 40 terrenos mencionados em denúncias vinculadas aos fatos investigados.

O objetivo final da CPI é determinar se houve eventual favorecimento, direcionamento ou fraude no processo.

Ex-prefeito Luiz Alfredo Dalben se declarou tranquilo quanto à apuração da Câmara. Foto: Assembleia Legislativa de São Paulo

Outros lados: Prefeitura e ex-prefeito se manifestam
A atual gestão municipal de Sumaré apontou que serão investigadas ações e contratos da gestão anterior, e se colocou à disposição da “CPI da Merenda” da Câmara, “desde o primeiro momento, todas as informações, documentos e esclarecimentos que forem solicitados, colaborando de forma ampla e transparente para o pleno esclarecimento dos fatos”.

Já o ex-prefeito Luiz Alfredo Dalben (PSD) afirmou que os secretários de sua gestão tinham autonomia para exercer seus cargos e conduzir as pastas, “sem qualquer interferência administrativa” de sua parte, e que “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sobre atos relacionados à sua administração”.

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