Uma adega repleta de vinhos raros é o cenário do reencontro entre pai e filho após anos de afastamento em “Memórias do Vinho”. A peça, estrelada por Elias Andreato e Caio Blat, mergulha em conflitos familiares, lembranças e acertos de contas, em texto inédito escrito por Jandira Martini em parceria com Maurício Guilherme.
A equipe de reportagem da TV TODODIA conversou com exclusividade com os atores Caio Blat e Elias Andreato. Eles falaram sobre a intensa relação entre pai e filho retratada no espetáculo, que terá apresentação única em Americana no sábado (30), às 20h, no Teatro Municipal Lulu Benencase.
Segundo Caio Blat, um dos pontos que mais chamou atenção no texto foi justamente a ruptura familiar vivida pelos personagens. “É um reencontro muito emocionante. Me chamou a atenção que o pai e o filho estavam rompidos, há muitos anos sem se falar. A mãe era o elo entre os dois e, desde que ela faleceu, eles perderam o contato”, afirmou.
O ator também destacou que a história dialoga com a realidade de muitas famílias brasileiras. “Recentemente, a política e situações do país fizeram muitas famílias brigarem, perderem o contato. A gente acaba descobrindo que existe também um fundo ético e político por trás desse afastamento”, completou o artista.
Vinho como símbolo
Ao longo da trama, um diário secreto encontrado entre as garrafas revela memórias guardadas por décadas e muda completamente o rumo do encontro entre os personagens. O vinho passa a simbolizar sentimentos, lembranças e feridas que nunca cicatrizaram.
Caio Blat explicou que o universo do vinho ajuda a construir a narrativa da peça. “Os grandes colecionadores associam as melhores garrafas aos momentos mais importantes da vida. A Jandira misturou o fascínio do vinho com a história dessa família. Cada garrafa foi aberta em uma ocasião especial”, contou.
Para Elias Andreato, o vinho representa algo muito presente na experiência humana. “O vinho ou a bebida libertam o homem de suas amarras. Para alguns isso é muito rico, muito inspirador; para outros, uma tragédia. Na peça, os personagens falam da importância desse ritual”, destacou.

Último texto de Jandira
“Memórias do Vinho” marca o último texto teatral escrito por Jandira Martini antes da morte da atriz e autora, em 2024. O espetáculo também presta homenagem à trajetória de uma das grandes referências do teatro brasileiro.
“Recebemos um legado da Jandira. Desde que estreamos, dedicamos todas as noites o espetáculo à memória dela”, afirmou Caio Blat.
Elias Andreato relembrou que a autora pensou em Caio Blat ainda durante o processo de criação da peça. “Ela tinha um apreço muito profundo por esse texto. Era um projeto muito importante para ela”, disse.
Humor e identificação
Além do drama familiar, o espetáculo também aposta no humor para aproximar o público da história. “É uma peça deliciosa. Todo mundo se identifica com uma briga, uma separação e uma reconciliação emocionante entre pai e filho. Ao mesmo tempo, a peça fala de política, ética, família, vinhos e muito humor”, resumiu Caio Blat.
O ator convidou o público da região para a apresentação em Americana. “É sempre uma alegria me apresentar em Americana. É um teatro maravilhoso e um público muito curioso. Será uma única e deliciosa apresentação”, finalizou.
Serviço – Espetáculo: Memórias do Vinho
- Quando: 30 de maio, sábado, às 20h
- Onde: Teatro Municipal Lulu Benencase, em Americana
- Ingressos: ingressodigital.com.br ou na bilheteria do teatro no dia da apresentação





