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Cantando histórias

Subsecretário de Obras e ex-vereador, Moacir Romero gravará CD com músicas sertanejas inéditas

O cenário musical brasileiro é marcado pela diversidade. Mesmo tendo de tudo um pouco, há gêneros que não encontram representatividade.

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Foi pensando em resgatar a tradição da música caipira que o ex-vereador de Americana, Moacir Romero, inscreveu o projeto “Cantador de Histórias” no processo de seleção do ProAC (Programa de Ação Cultural) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.

Em janeiro, Romero, que atualmente é subsecretário da Secretaria de Obras do Município, recebeu a notícia de que a iniciativa foi contemplada.

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Com a liberação para captação de verba, o compositor pretende angariar R$113 mil para produção, gravação e lançamento de álbum. Em entrevista ao TODODIA, ele comemora a vitória e fala sobre os próximos passos para a concretização do sonho.

Desde que foi criado, em 2006, o ProAC apoia financeiramente projetos artísticos em todo o Estado.

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Como resolução, o governo estadual abre mão de arrecadar parte do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria Serviços) para que empresas apliquem o valor correspondente a projetos culturais de variados segmentos: música, literatura, audiovisual, artes plásticas, circo, artes cênicas, danças, etc.

TODODIA – Qual a previsão para o início das gravações do CD?

Moacir Romero – O projeto ainda está em fase inicial, a expectativa é de que o álbum seja lançado ainda esse ano. O cronograma depende, no entanto, do recebimento de recursos. Precisamos, inicialmente, viabilizar 35% do valor total orçado para o começo da produção com músicos em estúdio. Tudo o que for possível, quero fazer em Americana. Contar com músicos e estúdio daqui. Mas isso vai depender de custos e de uma série de questões que ainda vamos avaliar.

Quando o senhor despertou o interesse para a música?

Tenho 66 anos. Estou na idade que todo mundo está parando e eu quero começar um projeto novo. Comecei a compor em 2009. Entre músicas e poesia, de lá para cá, já tenho 130 registros. Vim de uma cidade pequena do interior, chamada Boraceia, que vivia da lavoura. Sempre gostei de música, desde pequeno. Rádio, cinema e circo eram a diversão da minha família. Meu pai fazia questão de nos proporcionar isso.

Com mais de 100 composições, como será a seleção de repertório?

Na primeira triagem, separei 90 composições. Em seguida, filtrei para 30 letras. Agora, preciso selecionar para entrar no CD. Ainda estou selecionando, buscando temáticas que enfatizem mais as questões caipiras, tanto no conteúdo quanto na mensagem que quero transmitir. Conto com uma equipe para a parte operacional. Então, tenho liberdade para focar o trabalho na música.

Quais as temáticas das canções?

A música caipira me toca profundamente porque conta histórias que presenciei, que vivi e que também ouvi. As letras abordam essencialmente a vida no campo e na roça. O saudosismo das colônias, arvoredos, do jovem que deixa a terra natal para a cidade grande em busca de estudos e melhoria de vida. São coisas que passam pela minha cabeça. Um pouco da minha imaginação. Estou cheio de vontade para trabalhar nas minhas composições.

Por que o título do álbum será “Cantador de Histórias”?

Porque pretendo cantar histórias. Quero contar histórias cantando. Sou mais cantador que cantor. E assim vou apresentando enredos, como o pescador que se apaixona pela filha do fazendeiro e eles contrariam a todos para ficarem juntos.

De onde vem a inspiração?

Não tem como explicar. Às vezes, paro o carro para colocar no papel o que me vem na cabeça. Paro numa sombra e escrevo um trecho. Começo uns versos e retomo anos depois. Uma frase solta também pode me levar a escrever uma letra. São composições que levam a uma reflexão. É assim que trabalho. Não tem nada específico. Dou uma música como pronta e depois acrescento um verso, retiro outro.

Já que o senhor gosta de escrever, por que o projeto é de música e não literário?

Apesar de gostar de poesia, acho que ainda não tenho essa experiência para publicar um livro. Planejo, depois, publicar as letras sem melodia. A opção não está descartada. Gosto mais da música, que tem mais espaço para divulgação, reunir mais pessoas e chegar mais longe. Gosto do palco, do som dos instrumentos. Não descarto de fazer algo voltado para poesias.

O senhor pensa em fazer shows e apresentações ao público?

No edital em que fui contemplado, há obrigatoriedade de três apresentações em Americana, gratuitamente. Também serão distribuídos 1000 CDs. Isso tudo está incluso nos valores orçados para a realização do projeto. Em dezembro, fará 50 anos que moro em Americana. Minha vida está enraizada aqui. Aqui trabalhei, formei família, fui vereador e tenho uma vida pública. Em Americana, vou realizar mais um sonho.

 

 

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