De Americana para o Louvre, em Paris. O artista plástico Du Dominici construiu uma trajetória que levou seus desenhos hiperrealistas de um ateliê no interior paulista a um dos espaços mais prestigiados da arte mundial. Em 2022, duas de suas obras foram expostas no Carrousel do Louvre, na França, consolidando uma carreira marcada pelo estudo, pela técnica e pela paixão pelo desenho.
O interesse pela arte surgiu ainda na infância, entre lápis de cor, canetinhas e revistas para colorir. Nos tempos de escola, ele passava horas observando reproduções de obras de mestres como Leonardo da Vinci e Michelangelo, referências que ajudaram a moldar seus primeiros traços. Na adolescência, decidiu investir na carreira artística, trabalhando ao lado do pai para custear um curso de desenho e seguir o sonho de viver da arte, apesar das dificuldades da profissão.
A virada aconteceu aos 18 anos, quando venceu por três anos consecutivos o Salão de Humor de Americana, resultado que ajudou a consolidar seu nome no cenário artístico. “Trabalhando com meu pai, consegui pagar meu curso de desenho e investir naquilo que eu acreditava. Era um sonho que muita gente dizia ser difícil, mas eu segui em frente”, lembra o artista.
Obras chegam ao Carrousel do Louvre
Segundo Du Dominici, a oportunidade de expor em Paris surgiu a partir de um convite de uma curadoria brasileira ligada ao Louvre. Inicialmente, ele pretendia apresentar trabalhos inspirados na cultura indígena brasileira, mas questões envolvendo autorizações de imagem impediram a seleção dessas obras.
Como alternativa, o artista decidiu homenagear dois nomes que marcaram sua trajetória: Pablo Picasso e Frida Kahlo. “Eram dois artistas que eu queria reproduzir havia muito tempo. Eles representam muito para mim e acabaram sendo as obras escolhidas para a exposição”, contou. Os trabalhos foram exibidos em 2022 no Carrousel do Louvre, espaço destinado a exposições temporárias dentro do complexo do museu francês.
Hiperrealismo em lápis e lapiseira
Especializado em hiperrealismo, Du Dominici produz desenhos utilizando apenas lápis e lapiseira, criando retratos com riqueza de detalhes que muitas vezes se confundem com fotografias. Entre seus trabalhos estão representações de personalidades da música, do cinema e do esporte.
Um dos retratos mais marcantes foi o do rapper Mano Brown, dos Racionais MC’s. A obra chegou ao artista por meio da equipe do podcast “Mano a Mano”. Depois de conhecer o desenho, Brown enviou uma mensagem de áudio parabenizando o americanense. “Foi muito bacana receber esse retorno. A arte criou uma proximidade que eu jamais imaginava ter com alguém que sempre admirei”, relatou Dominici.

Ateliê forma novos artistas em Americana
Após quatro anos como professor em escolas da cidade, Du Dominici abriu o próprio estúdio e passou a se dedicar integralmente ao ensino e à produção artística. Há mais de uma década, o espaço recebe alunos de diversas regiões do Brasil e também do exterior.
Além das aulas presenciais, o artista oferece cursos online voltados a ilustradores, tatuadores e profissionais de diferentes áreas criativas. “Hoje temos alunos em várias partes do Brasil e do mundo. Ver pessoas desenvolvendo o próprio talento por meio do desenho é uma das partes mais gratificantes do trabalho”, afirma. Há 14 anos à frente do ateliê em Americana, ele continua compartilhando técnicas e conhecimento com novas gerações de desenhistas.
Arte também na música e na cultura pop
Entre os trabalhos recentes está a capa do álbum “Tireóide”, do rapper e poeta Renan Inquérito, produzido durante o tratamento de um câncer enfrentado pelo músico. Para ilustrar o disco, Du Dominici deixou temporariamente o grafite em preto e branco e criou a arte com caneta esferográfica colorida, incorporando elementos ligados à temática da obra. “Foi um trabalho diferente de tudo o que eu costumo fazer. Saí da minha zona de conforto para criar algo que estivesse à altura da mensagem que o Renan queria transmitir”, explicou.
Com obras reconhecidas internacionalmente, participações em projetos para a Marvel e centenas de alunos formados ao longo da carreira, o artista segue apostando na arte como ferramenta de transformação e inspiração. De Americana para o mundo, Du Dominici mantém vivo o propósito que o acompanha desde a infância: transformar talento e dedicação em desenhos capazes de atravessar fronteiras.





