O rapper piracicabano Daniel Garnet leva o espetáculo Afrotrapcália para a Itália neste sábado (19). A apresentação acontece na Festa dei Popoli, em Altamura, e marcará o segundo palco internacional do artista.
A estreia fora do Brasil ocorreu em agosto, em Baltimore, nos Estados Unidos. Agora, a nave Afrotrapcália chega à Europa com uma adaptação do espetáculo criada para a apresentação internacional.

Para Daniel, levar o projeto a outros países também é uma forma de apresentar diferentes expressões da música brasileira. O artista afirma que o espetáculo representa apenas um dos muitos caminhos possíveis dentro da produção musical do país. “Representa para mim mostrar o que o Brasil está fazendo de música nos vários lugares, nos vários Brasis que existem. A minha Afrotrapcália não representa tudo que está sendo feito, mas é algo que está sendo feito num desses vários Brasis”, destaca Garnet.
Uma rádio dentro da nave
Em Altamura, o espetáculo terá cerca de 40 minutos e seguirá a adaptação apresentada na estreia em Baltimore. A versão foi criada para permitir que Daniel conduza o projeto sozinho, sem a estrutura completa da montagem realizada no Brasil.
No formato original, Afrotrapcália reúne quatro músicos, quatro dançarinos, profissionais de luz e uma equipe de som. Para levar a proposta ao exterior, o rapper criou uma nova narrativa baseada na ideia de uma rádio instalada na própria nave.
As vinhetas entram durante o show para marcar mudanças de clima e conduzir o público pela viagem rumo a um “Afro-Futuro”. A cada destino, a rádio pode ganhar uma nova voz, com a participação de artistas ou produtores locais. “A nave Afrotrapcália passa pelos lugares e a festa é a rádio desse lugar. Então, cada lugar, um artista local, um produtor local vai narrar o texto dessa rádio.”, explica Daniel.
Na Itália, os textos serão narrados em italiano. Daniel também levará a própria estrutura técnica para reproduzir os vídeos que integram as vinhetas.
Encontro com a cena italiana
Além da apresentação, a viagem deve proporcionar encontros com artistas e produtores da cena local. Daniel pretende conhecer integrantes do hip hop italiano e pessoas que vivem no país após processos de imigração.
A Festa dei Popoli reúne diferentes comunidades e culturas. Para o rapper, esse ambiente pode favorecer novas conexões e abrir possibilidades para trabalhos futuros. “Conhecer artistas que eu possa continuar conversando para, quem sabe, futuros vídeos, futuras músicas, futuras parcerias”, explica o artista.
A troca, porém, não se limita ao envio de referências brasileiras para a Europa. Daniel também quer conhecer a produção contemporânea italiana, especialmente a ligada à música preta. “Eu quero mostrar o que está acontecendo na música brasileira contemporânea, principalmente na música preta. Quero saber também o que acontece lá nesse mesmo sentido.”
Brasil, África e diáspora
Afrotrapcália mistura rap, afrobeat, afrotrap e referências de diferentes tradições musicais afro-brasileiras e latino-americanas. Pagodão baiano, guitarrada, cumbia e elementos da Tropicália aparecem em um espetáculo construído para a dança e a experiência coletiva.
A partir dessas sonoridades, Daniel estabelece conexões entre o Brasil, a África, o Caribe e outros territórios da diáspora africana.
Na passagem pela Itália, esse percurso colocará em contato uma produção feita em Piracicaba com novos públicos e referências culturais. Cada destino acrescenta uma nova frequência à viagem da Afrotrapcália.





