
Candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad lançou na tarde de terça-feira (1º), em Hortolândia, seu plano de governo para o saneamento básico. A proposta reúne medidas para os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto no Estado.
A principal medida apresentada pelo ex-ministro é uma ampla revisão dos contratos de concessão dos sistemas de água e esgoto nas mais de 370 cidades paulistas atendidas pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).
Hortolândia, Monte Mor e Paulínia estão entre os municípios atendidos pela empresa e enfrentaram recentemente problemas relacionados à água tratada e distribuída pela Sabesp.
Revisão dos contratos
Ao comentar a proposta, Haddad afirmou que os contratos precisarão ser reavaliados. “Nós vamos ter que rever o contrato da Sabesp. Está todo mundo indignado com a qualidade do serviço, com a insegurança hídrica e com o preço da tarifa de água”, afirmou.
Segundo o candidato, o modelo adotado após a privatização também deverá passar por uma análise. “Tudo isso vai ter que passar por um pente-fino, que eu vou determinar em 1º de janeiro, em todos os contratos assinados pelo Tarcísio”, disse.
Haddad também citou sua atuação no governo federal e afirmou que uma revisão contratual resultou na recuperação de R$ 4 bilhões. “Só num contrato nós conseguimos recuperar R$ 4 bilhões. Isso vai ter que ser a regra aqui em São Paulo também”, declarou.
Tarifa Social
O candidato também defende uma revisão das tarifas cobradas nas contas de água e esgoto e a ampliação da Tarifa Social. Ao explicar a proposta, Haddad citou situações envolvendo a troca de hidrômetros em imóveis de famílias de baixa renda. “Uma família de baixa renda pode se deparar, do dia para a noite, com uma conta duas ou três vezes superior ao que pagava. Não estou falando de 6% ou 10%, mas de 100%”, afirmou.
Segundo Haddad, o aumento pode levar famílias a recorrerem ao crédito para manter o fornecimento de água. “A Sabesp é uma das grandes responsáveis hoje pelo endividamento das famílias. Isso está acontecendo”, disse.
Novas barragens
Haddad também abordou os efeitos do aquecimento global sobre o abastecimento de água. Para ele, a segurança hídrica exigirá novos reservatórios, além de medidas para garantir a produção de alimentos. “O que está em discussão não é a necessidade de reservação de água. Todo mundo sabe que São Paulo vai passar por um período em função da mudança climática”, afirmou.
O candidato citou as barragens de Pedreira e Amparo como exemplos de obras necessárias e defendeu que os projetos tenham licenciamento ambiental. “Você vai ter que ter reservatórios e licença ambiental, fazer de forma adequada. Não pode correr riscos. Tem que fazer uma coisa bem feita”, declarou.

Reservação e produção de alimentos
Haddad afirmou ainda que pretende rever o modelo de exploração dos serviços de reservação de água. “Nós vamos rever esse modelo para garantir a democratização do acesso à água. Não pode ser uma questão de quem tem e quem não tem”, disse.
Para o candidato, a estratégia também precisa considerar a produção agrícola diante de períodos de seca. “Nós vamos ter que combinar combate à escassez de água com reservação e irrigação para não faltar alimento”, afirmou.
Haddad também defendeu mudanças no seguro rural, com participação de recursos públicos e revisão dos contratos com seguradoras.
Lançamentos
O evento em Hortolândia também contou com a presença das candidatas ao Senado pela chapa, Marina Silva e Simone Tebet, além de candidatos a deputado estadual e federal da região e de autoridades locais.
Na quarta-feira (2), Haddad deu continuidade à série de lançamentos de seus planos de governo por temas, em Santos, onde apresentou sua política para os idosos.





