domingo, 21 abril 2024

Anvisa invade campo para tirar argentinos e jogo contra o Brasil é suspenso

Agentes do órgão pararam o jogo pouco depois de 4 min de partida porque três jogadores estavam impedidos de jogar por terem vindo da Inglaterra – mais um estava na arquibancada  

Uma confusão se formou em campo quando a partida entre Brasil e Argentina foi interrompido por agentes da Anvisa – Reprodução/TV Globo

Agentes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) entraram no gramado da Neo Química Arena neste domingo a tarde (5) e interromperam o jogo entre Brasil e Argentina pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. O intuito foi impedir que três jogadores argentinos que vieram da Inglaterra e não cumpriram quarentena disputassem o confronto contra a seleção brasileira. São eles: o goleiro Emiliano Martínez, o zagueiro Cristian Romero e o volante Lo Celso.

Um quarto jogador argentino, o meia-atacante Emiliano Buendia, estava na arquibancada, mas não estava escalado para a partida. Pelas normas da Anvisa para a pandemia de Covid-19, pessoas vinda da Inglaterra, África do Sul e Índia têm que cumprir uma quarentena de 14 dias antes de poderem circularem pelo Brasil.

Com a intervenção a Anvisa, o jogo foi interrompido com pouco mais de 4 minutos de bola rolando. Diante disso, a seleção argentina deixou o campo e foi para o vestiário. Depois, Às 16h58, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) divulgou através de seu perfil no Twitter que o jogo entre Brasil e Argentina estava suspenso e a decisão sobre o que acontecerá em relação à partida caberá a Fifa (Federação Internacional de Futebol), responsável pela eliminatórias da Copa do Mundo.

A entidade sul-americana explicou que o “árbitro e o delegado da partida levarão um informe à Comissão Disciplinar da Fifa, a qual determinará os passos a seguir”. A Conmebol disse ainda que “esses procedimentos obedecem estritamente aos regulamentos atuais. As Eliminatórias para a Copa do Mundo é uma competição da Fifa. Todas as decisões relativas à sua organização são de competência exclusiva da instituição”.

Funcionários responsáveis pela realização do jogo tentaram impedir a entrada no campo dos agentes da Anvisa, mas não conseguiram. Minutos depois, toda a seleção argentina deixou o gramado.

No início da tarde, o órgão sanitário chegou a emitir um comunicado no qual apontou “risco sanitário grave, e por isso orientou às autoridades em saúde locais a determinarem a imediata quarentena dos jogadores, que estão impedidos de participar de qualquer atividade e devem ser impedidos de permanecer em território brasileiro”.

Segundo a Anvisa, os quatro jogadores declararam não ter passagem por nenhum dos quatro países com restrições nos últimos 14 dias —entre eles, a Inglaterra. Os viajantes chegaram ao Brasil em voo de Caracas/Venezuela com destino a Guarulhos. Porém, notícias não oficiais chegaram à Agência denunciando supostas declarações falsas prestadas por tais viajantes.

Argentinos atuaram em jogos da Premier Legue

Os quatro jogadores argentinos envolvidos na polêmica atuam em equipes inglesas e atuaram na última rodada do Premier League. Romero e Lo Celso, que jogam pelo Tottenham, ficaram no banco durante a vitória por 1 a 0 contra o Watford no dia 29 passado. Já Martínez e Buendía, dupla do Aston Villa, atuaram no empate em 1 a 1 diante do Brentford no dia anterior.

De acordo com a Anvisa, os jogadores mentiram ao entrar no Brasil no sábado à noite (4), negando que estivessem estado na Inglaterra nos últimos 15 dias. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) teria intercedido junto ao governo federal em apoio à Conmebol e à AFA e tinha garantido um acordo com as autoridades para a realização da partida das Eliminatórias.

Tanto que os argentinos escalaram como titulares três dos quatro que vieram da Inglaterra a menos de 14 dias: Esse acordo ainda não foi confirmado por fontes oficiais do governo.

Enquanto a delegação argentina estava no vestiário, Messi e o técnico Scaloni foram à beira do campo para conversar com jogadores da seleção brasileira, o técnico Tite e o coordenador Juninho Paulista.

O coordenador de seleção da CBF, Juninho Paulista (de camisa branca), conversa com Messi e Neymar durante a interrupção do jogo pelas Eliminatórias da Copa – Reprodução/TV Globo

Nos corredores da Neo Química Arena, foi possível ver o presidente em exercício da CBF, Ednaldo Rodrigues, e um dos vices da entidade, Gustavo Feijó. O presidente da AFA, Chiqui Tapia, também está no estádio. A posição da seleção argentina foi não jogar diante da determinação das autoridades brasileiras.

Durante a transmissão da Globo, o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, disse que houve uma série de descumprimentos por parte dos argentinos. “Chegamos a esse ponto porque tudo aquilo que a Anvisa orientou antes não foi cumprido. Esses jogadores tiveram orientação de ficarem isolados para serem deportados. O isolamento poderia ser até mesmo no hotel. Mas isso não foi cumprido. Eles entraram em campo ainda. Há uma sequência de descumprimentos”, disse ele.

Antes do apito inicial, ainda no estádio, o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, insistia na proibição da participação dos quatro jogadores na partida. “Ninguém está à margem disso, nem eu. É imprescindível que todas as medidas sanitárias sejam cumpridas para garantir segurança a todos —a outros jogadores, a colaboradores e ao público”, afirmou.

Médico infectologista, ele disse ainda que intercedeu para que os jogadores que chegaram da Inglaterra e não cumpriram a quarentena ficassem de fora da partida. “Os jogadores não poderiam jogar, por determinação da Anvisa e do Ministério da Saúde. Ainda mais vindo de áreas em que o vírus ainda circula de forma intensa, como é o caso da Inglaterra, não é possível que a quarentena seja deixada de lado. Nenhum item de segurança é eliminado”.

A reportagem apurou que as autoridades brasileiras tentaram colocar os quatro jogadores em isolamento duas vezes antes da partida. A primeira tentativa aconteceu ainda no hotel da delegação argentina. A segunda, já na Arena Neo Química. Nesta segunda, os argentinos teriam se recusado a deixar autoridades a entrar no vestiário.

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