“Neymar, o extraterrestre” foi a manchete de capa do jornal francês L’Equipe na última sexta (21), às vésperas da final da Champions League.
O título chamativo se referia à capacidade mostrada pelo brasileiro em Lisboa de enfim liderar o Paris Saint-Germain rumo ao título europeu, principal projeto do clube há anos e razão pela qual o atacante trocou o Barcelona pela equipe parisiense, em 2017.
Apesar da mensagem positiva na capa, o conteúdo do jornal trazia uma outra reportagem com um alerta: embora tenha feito apresentações decisivas contra Atalanta e RB Leipzig, com assistências nos dois jogos, Neymar perdeu gols nesta reta final que não está acostumado.
É o tipo de perdão ao adversário que pode ser fatal nesse estágio. Robert Lewandowski, artilheiro da atual edição da Champions, não tem perdoado. Já são 15 na competição, e o polonês, goleador do Bayern de Munique, quer mais.
Hoje (23), às 16h (de Brasília) no Estádio da Luz, ambos serão as principais atrações de suas equipes na decisão do maior torneio de clubes do mundo.
NEYMAR
A análise fria dos números de Neymar, 28, nesta Champions não dá a dimensão de sua importância para que o PSG alcançasse sua primeira final do torneio na história.
O atacante perdeu os quatro primeiros jogos da fase de grupos, dois por suspensão e outros dois por lesão.
Havia uma cobrança sobre o camisa 10 por ter ficado fora, lesionado, das eliminações da equipe nos mata-matas de 2018 e 2019. Mas uma temporada livre de problemas físicos mais graves permitiu ao brasileiro não só participar dos confrontos eliminatórios, como ser decisivo.
Diante do Borussia Dortmund, nas oitavas, marcou na derrota por 2 a 1 na Alemanha e também na partida de volta, em Paris, no triunfo por 2 a 0.
Nas quartas de final, já no formato de jogos únicos, liderou o PSG na virada contra a Atalanta. Ante o RB Leipzig, com uma assistência, ajudou o PSG a confirmar lugar na final.
Neymar e Mbappé, juntos, anotaram 49 gols na temporada, oito na Champions League. O jovem atacante francês de 21 anos é goleador dos parienses na temporada e tem mostrado ser bastante efetivo na frente dos goleiros: foram 30 gols em 36 partidas até aqui, média de 0,83 gol por jogo, maior que a de Neymar, com 0,73.
O bom entendimento entre os dois astros do PSG, que ganharam o importante retorno de Di María na semifinal, parece ser o caminho para que o time, forte por suas individualidades, conquiste o sonhado título.
BAYERN
No rival, Robert Lewandowski é sinônimo de efetividade. Com média de 1,2 gol por jogo, o polonês de 32 anos faz a sua melhor temporada desde que chegou no Bayern de Munique, em 2014.
Autor de 15 gols no torneio, está a apenas dois do recorde em uma única edição, que pertence a Cristiano Ronaldo.
O atacante de 32 anos, diferentemente de Neymar, é só a ponta de um time organizado e voltado ao ataque, com um grande poder de pressionar o adversário em seu próprio campo.
Lewandowski conta com a companhia de um mestre no assunto, Thomas Müller. O alemão, campeão europeu em 2013 e da Copa de 2014, já marcou quatro vezes e deu três passes para gol no torneio.
Ao lado da dupla de ataque, quem também chega em alta para a decisão é Serge Gnabry. Autor de dois gols diante do Lyon, o alemão de 25 anos tem nove na competição e é o vice-goleador do time, com média de um gol por partida.




