segunda-feira, 24 junho 2024

Número de transplantes cai 24,7% na Unicamp

Depois de apresentar crescimento em números de transplantes por três anos consecutivos, o HC (Hospital das Clínicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde), apresentou redução no número de transplantação de órgãos, na comparação entre 2018 e 2017. Levando em consideração cirurgias de córneas, coração, rins e fígado a redução média foi de 24,7%.

Segundo a entidade, foram realizados 485 transplantes em 2017 e 365 em 2018. De 2015 até 2017, o número total de transplantes apresentou sucessivas altas, com 281 cirurgias em 2015, 323 em 2016 e 485 (2017). Em 2017, aliás, o número deste tipo de cirurgia foi o maior já registrado em 35 anos em que o HC realiza transplantes – as primeiras cirurgias na Unicamp foram realizadas em 1984.

No ano passado, a maior redução percentual foi em relação aos transplantes de córneas, que caíram de 222 para 115, número 48,1% menor. Tiveram queda também as transplantações de coração, que passaram de 7 para 4 cirurgias (redução de 42,9%); de rins, que baixaram 12% (de 149 cirurgias em 2017 para 131 em 2018); e fígado, de 69 em 2017 para 62.

No período comparado, só os transplantes de medula cresceram, passando de 43 procedimentos em 2017 para 53 em 2018, aumento de 23,2%. O HC da Unicamp informou, em nota, que, apesar da queda, o número de transplantes na unidade “voltou para a média”, já que 2017 foi um ano atípico por conta da oferta de órgãos e do aumento da procura.

Entre as razões para a diminuição dos transplantes em 2018, a assessoria do hospital citou a greve nacional dos caminhoneiros, que provocou falta de combustíveis, e as campanhas de vacinação contra a febre amarela, já que recém-vacinados não podiam doar. Na região de Campinas, o HC é referência para quase 7 milhões de pessoas, moradoras em 86 municípios.

MEDICAMENTOS

Depois do transplante

Nascido em Campinas e atualmente morando no Jardim Boer, em Americana, o aposentado José Leandro de Cillo é transplantado dos rins há quase cinco anos. Ele contou ao TODODIA que sua luta começou em 2011 e que se agrava com problemas como o que ele passa desde o início desse 2019, com a falta de medicamentos em Farmácias Estaduais de Alto Custo.

O aposentado faz tratamento no próprio HC da Unicamp, onde há uma farmácia para retirada do medicamento, no entanto, segundo o hospital, o envio é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde. José Leandro conta que iniciou a hemodiálise em 2011, ficou por 2 anos em tratamento até conseguir entrar na fila para a cirurgia. “Fui abençoado com o transplante em 9 de setembro de 2014”, relembrou. “Minha cirurgia durou 7 horas e meu rim demorou 16 dias até começar a funcionar”, disse.

Após ter lutado para conseguir ser transplantado, hoje o aposentado trava uma batalha para conseguir os remédios de alto custo que evitam a rejeição do órgão. Ele afirma que depende da medicação para continuar sobrevivendo. “Uso remédios que custam mais R$ 2 mil a caixa, as autoridades de saúde precisam ajudar, não só a mim. Há muita gente passando dificuldades”, finaliza.

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