quarta-feira, 24 abril 2024

Sobre fazer novas amizades

Por Marcos Barbosa 

Até tenho vontade de fazer novas amizades, conhecer pessoas novas e trocar experiências sobre a vida. Me sinto bloqueado em muitas situações, não conseguindo ir adiante.

Confesso que existem situações em que me exponho mais e estou aberto a isso, mas quando depende de mim criar um diálogo ou dar o primeiro passo, é muito difícil.

Existem circunstâncias na vida em que sabemos muitas informações sobre alguém e sequer sabemos o nome delas. Uma situação clássica é alguém que trabalha na mesma empresa que você, porém em outro setor. Vocês sempre se esbarram, às vezes se encontram no refeitório, você sabe a fruta favorita dela, se come pão ou não, se gosta de café ou não e às vezes até onde ela mora – por conta do transporte coletivo, mas não sabe como interagir. Outra situação clássica é a academia. Você faz a mesma série que outras pessoas, sabe os gostos dela, se curte tattoo, banda favorita, se está em um relacionamento, o transporte dela, horários, e às vezes até onde trabalha, mas não sabe o nome. Não é doido isso? Não parece natural interagir do nada. Chegar e simplesmente dizer um “oi, tudo bem?” beira à vergonha alheia. Será que se sentir assim está relacionado à autoestima? Sinto que deveria ser algo comum ou normal, mas criamos um monstro e alimentamos ele.

No fundo todos nós só queremos nos sentir notados e especiais. É tão bom fazer uma amizade improvável. Lembro quando ousei mudar de treino na academia, após (pasmem) três anos. Por simples vergonha de interagir com um professor, não ousei mudar. Se não fosse esse ímpeto, não teria conhecido Janaina. Dividimos tantas conversas boas e em um momento tão complicado de minha jornada. Alguém que, com toda certeza, tenho carinho imenso. Faz muita falta não ter ela nos meus dias.

A verdade é que precisamos de muita coragem para sair do comodismo e ousar. Pena do outro se ignorar sua interação ou não quiser sair do raso. Tolo aquele que acha não precisar de mais ninguém, ou que julga ter tudo o que precisa. Os gostos mudam e nossas necessidades também. Tenho a ideia de que tudo acontece por um motivo. No fim das contas, tudo se conecta e no fim faz todo o sentido. Se você sente essa necessidade e vontade, enfrente seu medo. Dentro das possibilidades, escolha um caminho confortável para você, mas não deixe de fazer.

Não é vergonhoso querer conhecer pessoas, criar amizades e querer saber o que se passa em outras bolhas. Estamos nesse caminho para cruzar outras vidas e nos relacionar mesmo. Trazer coisas boas e dividir aprendizados. Precisamos contribuir com o crescimento do outro.

Essas palavras servem para você, leitor, mas principalmente para mim. Não há mal algum em querer expandir sua rede de contatos. Atravesse esse medo que te limita! Trate-o como alerta e não barreira.

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