Por João Ulysses Laudissi
As eleições estão chegando. Falta menos de um mês e os “debates” eleitorais recheados de promessas, mentiras, suspenses e atritos prevalecem sem que haja análises profundas e compatibilizadas dos fatos contemporâneos, ou seja, ressurge o terror contemporâneo. Nesse período reacende o estilo romanesco deturpado, em que os candidatos se apresentam não concentrados nos fatos e, sim, numa maneira literária de desconstrução fantasiosa dos seus oponentes, tirando o foco dos fatos com estratégias ficcionais que impossibilitam aprofundar nas abordagens da realidade.
Os eleitores já estão um tanto evoluídos no seu grau de politização e até aceitarão conhecer como os candidatos apresentarão suas histórias verdadeiras dos fatos, mesmo que exagerem nos diálogos para descrevê-las, uma vez que na extensão dos seus diálogos acabarão revelando detalhes das suas pretensões, ou das patologias que sua proposta poderá “curar”.
Ilustrando melhor esse assunto e tornando mais esclarecedor recomendo algumas literaturas que servem de exemplos onde seus autores, de forma ágil, exageraram nos diálogos para descrever histórias verdadeiras dos seus personagens e/ou de acontecimentos e acabaram revelando grandes esquemas prejudiciais à sociedade. São fatos abordados de forma objetiva narrados sob ângulos subjetivos que permitiram, após pesquisados em profundidade, a leitura da contemporaneidade. Exemplos: “Cabeça de Papel”, de Paulo Francis; “Reflexos do Baile”, de Antônio Callado; “O que é isso, companheiro?”, de Fernando Gabeira, entre outros.
Voltando ao ano de 2022, teremos eleições no Brasil e tudo indica que prevalecerá alguns aspectos do estilo romance, ou seja, no que tange ao redor de uma exposição de acontecimentos ou de uma série de acontecimentos mais ou menos encadeados que imperará os imaginários tramados e um ponto de vista, segundo a perspectiva do narrador que poderá criar as condições para o surgimento de um viés de terror contemporâneo fazendo com que as pessoas passem prematuramente a sentir medo da vingança, das ameaças e das consequências dos atos de quem os vier a praticar.
Portanto, para afastar o terror contemporâneo, há que se entender que a sua origem está no desconhecimento de onde o monstro poderá estar e o que ele poderá fazer, além de que também poderá haver a tensão no desenvolvimento de alguma estratégia ou plano para combate-lo. Assim, devemos identificar o monstro e não dotá-lo de poderes.
Diante de tudo isso, concluo, mencionando um conto tradicional oriundo da longínqua antiguidade chamado “O Diabo e o Ferreiro”, que conta a história de um homem que dá a alma ao Diabo para ganhar superpoderes. Talvez fatos semelhantes, porém, não folclóricos, possam se tornar verdadeiros neste ano de 2022, ano de eleições no Brasil. Por isso, antes de começar um novo dia de trabalho, nunca se esqueça de dizer: Deus me ajude! E faça a sua escolha de acordo com a sua consciência e não se esqueça de que ao Grande Arquiteto do Universo – Deus – que deves pedir para que abençoe a sua labuta diária e as suas escolhas. Caso contrário, novos monstros serão admitidos e os com dívidas com os senhores do inferno ainda se manterão ou, pior ainda, retornarão.





